O que comemos!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Os alimentos consumidos têm uma ligação muito forte com a tradição cultural de um povo. Não são apenas alimentos, mas sim uma tradição cultural posta à mesa. Tomemos como exemplo o milho em relação a alguns povos indígenas. Por detrás do cultivo e consumo do milho existe uma tradição, uma história a ser considerada. Neste caso o milho é muito mais que alimento, mas a expressão cultural destes povos.

 O chimarrão do Sul tem esta dimensão já cantada em prosa e verso. Na cuia que segue de mão em mão contam-se histórias, causos, fortalecem-se amizades, tomam-se decisões, definem- se rumos. Na cuia de mate preparada está a possibilidade de um novo agir, de nova configuração da história das pessoas e das famílias.

A pamonha, feita em alguns estados do Centro Oeste, é fruto de um intenso processo de troca de afetos durante um dia todo de convivência e fraternidade. Ao comer a pamonha a pessoa que participou da fabricação está finalizando um itinerário comunitário onde cada um emprestou a sua contribuição.

Talvez as pressões do mercado tenham velado estas riquezas próprias de cada região do Brasil. Alimentar-se é muito mais do que a ingestão de calorias e nutrientes para nossa sobrevivência. O alimento físico é também o alimento cultural nas dimensões próprias de cada lugar. 

No caso da produção de alimentos cabe uma certa atenção às vocações regionais que carregam também um acento cultural muito forte. Nisto é necessário buscar o equilíbrio entre as exigências do mercado e o que caracteriza cada região do Brasil, em consonância com o cuidado ambiental.  

O desafio de produzir para a sobrevivência humana é urgente. Contudo nesta produção existem regras a serem consideradas e o mercado não pode ser considerado o único parâmetro destas regras, pois, por si só, não garante o desenvolvimento humano integral e a justiça social e ambiental (LS 109). 

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