O Fusca nazista de Ferdinand Porsche

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Esta página da história reúne duas figuras muito conhecidas. De um lado, Ferdinand Porsche, um já experiente e famoso projetista de automóveis de luxo mas que sonhava com a produção de um carro pequeno e popular. Do outro lado, o então chancheler alemão Adolf Hitler, que dispensa maiores apresentações.

Em 1933, no Salão do Automóvel de Berlim, Hitler discursou para seus ouvintes sobre a necessidade urgente da Alemanha buscar a modernização na área dos transportes. Defendeu a diminuição de impostos sobre os automóveis, leis menos rígidas para o tráfego e a facilitação para a obtenção da carta de habilitação. Falou também sobre seus planos para construir um sistema inovador de estradas - a Autobahn alemã – e que desejava que cada trabalhador alemão pudesse ter um pequeno e barato carro: “O que desejo não é um carro para 200.000 ou 300.000 pessoas que tem dinheiro para pagar, mas um automóvel que 6 ou 7 milhões (de pessoas) possam pagar”. Nunca saberemos se realmente o ditador nutria esse desejo ou se era parte de sua estratégia para alcançar o mais alto posto de comando da Alemanha.

Porsche, que estava presente, ouviu aquelas palavras como se fossem o tilintar de moedas de ouro e, sem demora, entregou um relatório de seus planos e projetos para o Führer. Deste relatório podemos destacar as características primordiais para a criação do Fusca:

1.            Um carro funcional, de dimensões normais mas de baixo peso;

2.            Com potência necessária para subidas e velocidade máxima de 100km/h;

3.            Com espaço interno normal, minimamente confortável;

4.            Para todos os fins de utilização, como transporte de passageiros, de mercadorias e até fins militares;

5.            Com equipamentos simples e a prova de falhas, para reduzir ao mínimo possível sua manutenção;

O Führer acrescentaria ainda outro ponto a ser observado para o projeto do Volksauto – o preço que um trabalhador alemão pudesse pagar, ou seja, muito barato.

Assim, sob essas características e com financiamento do governo alemão e do partido nazista, Porsche desenvolveu muitos projetos até que, em 1938, a série denominada como vw38 foi apresentada com as características mais próximas do Fusca como o conhecemos.

Contudo, logo a seguir iniciou-se a 2ª Guerra Mundial e os planos para a produção de milhares de KDF-wagen (numa tradução livre Força Através da Alegria, como o próprio ditador batizou o projeto) foram interrompidos. Os custos de produção eram altíssimos. A fabricação era lenta e faltavam matéria prima e combustível. Assim, até 1945 não mais de 1.500 unidades foram feitas, a maioria para fins militares. Para piorar o cenário, a fábrica dos KDF foi bombardeada quatro vezes até 1944 e em ao fim da guerra o projeto do carro do povo era somente uma sombra quase apagada da história.

Mas, então, como o Fusca se tornou o carro mais amado do mundo? Confira aqui, na próxima quinta-feira! 

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