Escola Sem Partido: O mínimo a se esperar dos educadores

Postado por: Dilerman Zanchet

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Encerrou oficialmente mais uma greve do magistério gaúcho. Deve ter sido a 35ª, ou por aí. Acompanhei quase todas. Em muitas, vivi a expectativa de perder o ano letivo, protelar as férias para janeiro, ouvir as reclamações, justas ou não, dos professores que não aceitavam a paralisação como legítima, afirmando que o sindicato estava partidarizado e por aí em diante.

Também ouvi, ao longo de minha vida como profissional da imprensa, todos os lados das greves do magistério. Tanto governo, quanto professores favoráveis, contrários, pais e alunos. Se tiver que filtrar, somas, multiplicar e dividir, diria que entre 70 e 80% de todos os envolvidos são contrários a este tipo de movimento. Não se tem mais “saco” para aguentar meia dúzia de professores gritando e falando por um grande número dos que já estão conformados com a situação. E são movidos politicamente por um ou dois partidos que fazem do “quanto pior, melhor” suas bandeiras de lutas.

O anarquismo não deu certo. O socialismo está mostrando a cada dia que não serve como modelo para nada. E alguns professores, que saem das salas da faculdade para lecionarem, já entram nas escolas com ideais fixos de querer mudar o mundo, transformando seus alunos em marionetes politicamente corretos. E que esquecem que atrás de um aluno – embora com uma deficiência educacional incrível – ainda existe uma família que, na maioria das vezes, não concorda com política partidária em sala de aula.

E a greve encerrou como começou: Sem resultados práticos. Exceto alguns alunos que, desta vez, induzidos por partidos de esquerda, resolveram aceitar a provocação e invadir escolas.

E é nesse aspecto que a cobra fuma.

Não se pode aceitar, em um país que está às vias da quebradeira econômica, social, política e ética, ter em sala de aula professor de história, ou de qualquer outra matéria, manipulando os livros e tentando doutrinar politicamente os alunos. Assim como não foi mais permitido com as aulas de religião, não à política ideológica extracurricular, também!

 O que os pseudo intelectuais dos bares noturnos defendem é a partidarização das escolas. Isso para facilitar a sua vida e fazer descer com mais suavidade os goles de uísque. Para um Brasil despreparado, doutrinado por Paulo Freire e outros de esquerda (alguns até duvidosos), isso é muito fácil e perfeito. Difícil e despartidarizar um professor, fazê-lo descer do salto e falar de política, seja para qual lado pender, com isenção.

Em um mundo onde a categoria dos professores é despreparada, transformada em massa de manobra de sindicatos de esquerda (alguns com visão anarquista e coisas piores), o que se pode esperar do futuro?
Há: Antes de contestar, entenda bem que sou plenamente favorável ao magistério, à linda e gratificante missão do educador, admirador profundo dos professores que têm, em seu dia-a-dia, a nobre missão de alfabetizar e ensinar. E muitos dos quais os fazem substituindo até a educação familiar. Estes merecem que eu tire o chapéu. Os respeito profundamente.

Porém, não tentem convencer que com a doutrinação política dentro da sala de aula poderemos ter um futuro melhor. Só se for para aprender o funk da laje ou para utilizar um fuzil.

Por fim, antes de argumentarem contra o projeto Escola Sem Partido, leiam atentamente o projeto de Miguel Nagib, que sugere a colocação de um cartaz afixado nas salas de aula dos ensinos Fundamental e Médio com o seguinte conteúdo:

“DEVERES DO PROFESSOR

I – O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.

II – O Professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.

III – O Professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.

IV – Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito da matéria.

V – O Professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

VI – O Professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula”.

 É difícil fazer isso?

 

 

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