A posição certa

Postado por: Neuro Zambam

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A situação da Turquia, que constrange o mundo por causa da suposta tentativa de golpe de estado no último final de semana, clama por uma avaliação equilibrada e isenta de paixões. A tradicional divisão entre esquerda e direita, já fora de cogitação por causa das bancarrotas da quase totalidade dos políticos brasileiros, pede que as opiniões e críticas sejam pautadas pela tolerância e pelo cuidado.

A Turquia é um país interessante: Pessoas alegres e acolhedoras, uma paisagem variada, museus que chamam a atenção pela limpeza e acervo invejável, monumentos históricos de relevância sem igual, distribuição de renda com certos ares de justiça social mais interessantes que no Brasil, há poucos anos disputando um lugar privilegiado com a possível entrada no seleto grupo da União Europeia, uma tradição cristã e muçulmana com convivência pacífica e sem graves brigas (lembremos que os últimos papas foram à Turquia com liberdade, segurança e alegria) e assim outros aspectos poderiam ser destacados.

As dificuldades de organizar democraticamente as sociedades complexas atinge esse país assim como o Brasil, a Turquia e outros sem tradições e valores equilibrados arraigados e seguros no cotidiano na vida das pessoas e dos líderes políticos e de expressão em outras áreas.

O vigor da democracia é sustentado por valores, pessoas, instituições e compromissos públicos partilhados pela ampla maioria da sociedade e que oferecem segurança ao conjunto da sociedade. A separação entre Estado e Religião ovacionada desde historiadores, políticos e pessoas de bem, ainda não está totalmente esclarecida e assumida como um valor moral em todos os países democráticos (novamente no Brasil e na Turquia também).

O exército, pelo que sei, depois da liderança de Ataturk na Turquia, foi quem garantiu a estabilidade política do país contra as tentativas de instrumentalização por parte da religião e de outros grupos sem claro compromisso com a democracia, inclusive do executivo, legislativo e judiciário.

Aqui no Brasil, pelo que se tem acompanhado, não há instituição que garanta o pleno funcionamento da democracia, especialmente em momentos de crise e turbulência.

A opinião que partilho neste espaço tem como meta contribuir para que nossas avaliações, opiniões e comparações sejam prudentes.

As comparações entre Brasil e Turquia têm nuances de semelhança e muitas diferenças. O cuidado evita o fanatismo e o desequilíbrio o que não contribuem para a maturidade do país e nem para o respeito público.

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