O que você quer ser quando crescer?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe

Uma das perguntas mais usuais e corriqueiras que se fazem às crianças é: O que você quer ser quando crescer? As respostas dadas com a maior ingenuidade e simplicidade de uma criança, trazem sonhos, muitas vezes irreais, difíceis de serem alcançados, pra não dizer impossíveis, com raras exceções. O que determina o que iremos ser quando crescer, nossa profissão ou posição na sociedade,  na maioria das vezes foge ao nosso alcance e nosso destino é determinado e conduzido pelo meio em que vivemos, as condições e oportunidades oferecidas pela sociedade em que vivemos.  

O Brasil encontra-se hoje, dentre os dez maiores PIBs mundiais, porém, é o oitavo no ranking das desigualdades sociais e econômicas do Planeta, com uma estimativa de 16 milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza, segundo relatório da ONU (2.010). Embora nos últimos anos, o governo federal tenha priorizado a implementação de projetos e programas voltados a inclusão social, nosso País ainda enfrenta gravíssimos problemas de desigualdades, as quais foram, segundo o Fórum Econômico Mundial (2.013), os principais motivos das manifestações nas ruas daquele ano. A nossa geração, tem um compromisso vital com as gerações futuras, determinantes ao futuro pessoal de cada cidadão (ã) e também, ao futuro da sociedade como um todo, com o desenvolvimento sistêmico e ecológico de todo o Planeta. Hoje em nosso País, o trabalho escravo e o aliciamento de crianças para o crime, é uma triste realidade. Diante da omissão e da falta de presença do Estado, na garantia de direitos aos cidadãos, deixamos o futuro de nossos jovens, diante de uma incerteza e de um destino nada promissor, muito distante daquele sonho infantil, do mundo de fantasia que ela havia idealizado. No norte do Brasil, assim como em alguns rincões e locais distantes da urbanidade e consequentemente do acesso a produtos básicos como: educação, saúde, cultura e lazer... Nestes locais, é muito comum observarmos crianças que nunca freqüentaram uma escola, trabalhando em locais e atividades totalmente insalubres, sendo que ao serem questionadas sobre seus futuros profissionais, as respostas são as mais otimistas possíveis, como por exemplo: ser médico, piloto de avião, policial, professor, fazendeiro, dentre outras profissões, sempre é claro, bem sucedidos. Esta ternura e inocência de uma criança, com o tempo e pelos percalços que a vida nos traz, aos poucos vai ganhando outra visão e contexto. A vivência nos faz pragmáticos e descrentes de muitos sonhos, o que na verdade acaba sendo até uma fragilidade dos adultos, uma “desvantagem” diante das sonhadoras e empolgadas crianças de nosso Brasil, porém, uma constatação fática de futuro, que não precisa ser nenhum vidente para prever.

Uma nação que não investe no futuro de seus jovens, está predestinada ao fracasso. Além de abortar sonhos, está comprometendo o futuro de toda a população, pois o desenvolvimento de um povo precisa ser harmônico, onde todos possam ter acesso ao mínimo necessário para viver com dignidade, onde uma criança, possa freqüentar uma escola com saúde e bem alimentada, onde os jovens tenham a oportunidade de se profissionalizar e contribuírem com o desenvolvimento de um País, com o protagonismo que lhes é de direito, como profissionais atuantes no mercado de trabalho. A exclusão social afeta a todos de um modo geral. Um País de analfabetos, desnutridos, desdentados, marginalizados, exclui também os poucos que tiveram oportunidades, e, afasta o sonho de uma Nação de se desenvolver com sustentabilidade e acessibilidade de todos, aos bens necessários e indispensáveis para a vida de qualquer pessoa, como saúde, educação, segurança e assim por diante. A desigualdade no Brasil é um problema latente e preocupante, sendo ela o principal fator de insegurança para a sociedade, basta observarmos as estatísticas dos presídios e dos centros de atendimentos de adolescentes, quantos deles possuem ensino fundamental? Qual a condição econômica que predomina nesta população? Quantos são negros? Estamos fazendo de conta que estamos resolvendo o problema de segurança pública com mais presídios e policiais nas ruas. Enquanto não houver políticas sérias de inclusão social, a “fábrica” de bandidos e excluídos, continuará em nosso meio social.

A sociedade precisa se dar conta do prejuízo que este modelo econômico e político adotado em nosso País, está causando à toda a sociedade. Estamos destruindo sonhos e comprometendo o futuro desta e das próximas gerações. Precisamos “acordar”, sair desta inércia social e política e partirmos para ações práticas efetivas, de resultado e para isso, precisamos de mudanças, de atitudes corajosas e arrojadas, sob pena de sermos julgados no futuro, como uma geração que não teve coragem para mudar. “um sonho que se sonha só, é só um sonho, porém, um sonho que se sonha junto, torna-se realidade” (Raul Seixas).  

Leia Também A mudança do comportamento por meio do conhecimento não coercitivo Educação como cultivo das capacidades humanas A experiência que faz a diferença Ouro, ouro e ouro!