O papel político da educação

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Educar as gerações é uma necessidade das nações. É o caminho de preparação das gerações mais novas para o agir social e para o enfrentamento da vida. Compreende a provocação para o desenvolvimento das aptidões físicas, intelectuais e morais que dão condições para o indivíduo situar na sociedade, colaborando no seu desenvolvimento, mas também assumindo um processo contínuo de aprendizagem.   

 É um processo que envolve sujeitos em papeis e funções diferenciados.  Um aluno que está sendo alfabetizado está ali na condição de aprendiz e o seu professor está na condição de alfabetizador. Não é possível a inversão de papeis sob o risco de comprometer o processo de alfabetização.

No entanto a forma como este aluno é alfabetizado tem um peso significativo no seu futuro, visto que alfabetizar implica em apresentar o mundo para o aluno e ajudá-lo a perceber este mundo.  É possível alfabetizar no sentido técnico de conhecimento de letras, números e outros saberes recorrentes.   Compreende também dar amplitude a este processo que reconhece o alfabetizando como uma pessoa inteligente e criativa, tendo o alfabetizador a nobre tarefa de provocar estes dons inatos na pessoa.

Como seres em sociedade somos políticos, mesmo não militando em partidos que defendem diferentes ideologias. As escolas e universidades, enquanto instituições voltadas para a educação, são instituições políticas. As diferenças entre esta e outra escola, esta e outra universidade, estão sustentadas por propostas educacionais marcadas por opções políticas.  Por trás de decisões tomadas há uma leitura de mundo e há uma perspectiva política que não precisa ser partidária. As aulas marcadas pelo encontro entre alunos e professores são também processos de debates políticos.

Desconhecer o viés político dos processos educacionais, como é apregoado pelos defensores da “escola sem partido” é equívoco.  O pensar e agir político faz parte de uma atividade que compreende sujeitos políticos. Não admitir que a sala de aula possa ser um lugar de debates entre alunos e professores, salvaguardando papeis, funções, e o necessário processo de ensino, é desconhecer o papel emancipador da educação. Ela não doutrina, mas provoca o pensar e o agir em sociedade. 

 A grande mídia há tempos vem exercendo um papel doutrinador em diferentes âmbitos e ainda não vimos preocupação com isto. Por que será?

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