A tecnologia e a submissão humana na forma de nascer e de viver

Postado por: Israel Kujawa

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A tecnologia está associada, entre outras coisas, com agilidade, facilidade, conforto e diminuição da necessidade de esforço. Usar a tecnologia facilita as tarefas diárias de lavar roupas, fazer comida, abrir um portão, acessar uma informação, realizar um deslocamento físico e programar o nascimento de um filho sem os desconfortos e os riscos por falta de intervenção em um parto. No entanto, o uso da tecnologia visando a produção quantitativa, condicionado pelas facilidades individuais imediatas, sem considerar o efeito colateral para outras pessoas e por consequência para si próprio, pode ser considerado como subordinação e submissão a uma lógica que instrumentaliza o ser humano.

 A intervenção tecnológica permite que uma mulher em gestação programe com antecedência o dia e a hora do nascimento de seu filho, sem as dores e os riscos do parto, para falta de intervenção adequada. Um profissional tecnicamente preparado para acompanhar, auxiliar e intervir no nascimento de um ser humano, conseguirá realizar uma quantidade de procedimentos maiores, se programar o mesmo. A junção destes fatores pode explicar as razões do alto índice de nascimentos por meio de uma cirurgia conhecida com cesariana. Este índice elevado de nascimentos por meio de uma programação e intervenção tecnológica, tem preocupado a Organização Mundial da Saúde e os órgãos que se ocupam com a saúde pública no Brasil.

Esta realidade deve ser incluída em um debate mais amplo, envolvendo o conjunto da sociedade e diz respeito a um tema que precisa ser discutido na relação entre o humano, o afetivo, o técnico e o social.  Pois um ser inicia suas relações que podem se tornar mais humanas ou mecânicas com a sua genitora, com o contexto, com a natureza e com a sociedade, tendo o nascimento com um marco inicial, que merece ser investigado de modo amplo e profundo, com cuidado e com afetividade. Esta relação dos humanos entre si e com a natureza precisa considerar o conjunto dos seres diretamente envolvidos, planejando comportamentos, a curto, médio e longo prazo, que visem o equilíbrio, a afetividade e a harmonização.

Neste debate, os futuros pais e em especial as mães devem ter o protagonismo. Entre as diretrizes centrais a serem postas na escolha, deve ser incluído os benefícios para si, para o ser que está sendo gerado e para o conjunto da sociedade. Nisto está incluído a relação entre as vantagens imediatas de um nascimento programado, sem os desconfortos inerentes ao parto. Contudo, a antecipação do rompimento de uma forma do vínculo afetivo e corporal, no qual um novo ser é retirado do útero, sem iniciar o processo natural do nascimento, poderá acarretar consequências de imaturidade biológica, insegurança efetiva e consequências sociais. 

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