Qual a formação ou qualificação necessária para ser candidato?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A nova lei eleitoral 13.165/2015 suscitou uma série de dúvidas da população com relação aos critérios e regras a serem seguidas nestas eleições, em especial à resolução 23.455/2015, que trata sobre os requisitos a serem preenchidos pelos candidatos, os quais não irei me deter em abordá-los um a um, pois a lei já é bem esclarecedora neste ponto, porém, vou falar sobre uma questão, que corriqueiramente é levantada nos períodos eleitorais, que trata sobre a qualificação mínima, ou o grau de instrução que deve ter um candidato político. 

É comum você ouvir as pessoas dizerem que um candidato a vereador, prefeito, deputado ou ao cargo que for, precisaria ter um elevado grau de instrução, uma qualificação ampla, ser “estudado” e assim por diante. Para começo de conversa, a legislação brasileira não exige isso, exigi apenas que os candidatos sejam alfabetizados, ou seja, que saibam ler e escrever. Mas aí você me diz: “Por isso que as coisas estão deste jeito na nossa política”! As respostas geralmente são estas, pelo menos é o que o senso comum responde, em sua ampla maioria, porém, se analisarmos os casos de políticos envolvidos em esquemas de corrupção, poderemos ter uma constatação fática, que diverge deste “pré-conceito” da opinião pública. Ao contrário do que se imagina, a maioria dos agentes políticos envolvidos em ações ilícitas, são pessoas com o mais elevado grau de instrução que se pode imaginar, eles são em sua maioria, personalidades da elite brasileira, com nível superior, pós-graduação e até doutorado em determinados casos, sem falar da origem de berço, os quais são oriundos de famílias abastardas, donas de grandes fortunas, que em tese, não teriam o por quê, envolverem-se em atos ilícitos, se corromperem por dinheiro.

As lideranças políticas que acabam se destacando e realizando um bom trabalho em favor do povo e da sociedade em geral, são pessoas lapidadas pela vida, forjadas no seio da sociedade, com experiências empíricas e com uma personalidade ética e moral, que não se constrói em escolas, em universidades, mas sim, na educação de berço. Um bom político, não tem preço, tem valor. Infelizmente, se tornaram raridades nos dias de hoje. Homens e mulheres públicas, que se doam e lutam em defesa da sociedade, pelas causas sociais, pelo bem comum e pelos interesses difusos, estão a cada dia mais escassos e raros de se encontrar. Vivemos em uma sociedade individualista, capitalista, onde a disputa pelas melhores oportunidades virou questão de vida ou morte. Somos criados e doutrinados desde os primeiros anos de vida, e, também na formação acadêmica, a vivermos com a competição. A sociedade tem criado cidadãos individualistas, que busquem o “seu” bem estar pessoal acima de tudo e de todos. Não estamos preparando líderes, ao contrário, estamos sim, tolhendo potenciais lideranças, que poderiam vir a ser bons políticos. Vivemos a realidade de um mercado de trabalho perverso e voraz, que não estimula em hipótese nenhuma o trabalho social, voluntário e associativista.

Precisamos urgentemente inverter a tabela de valores de nossa sociedade. No topo desta tabela, é preciso estar os valores morais, éticos e sociais. As pessoas precisam ser valorizadas pelos seus valores, não por suas aparências. Precisamos avaliar um candidato pelo seu trabalho desenvolvido ao longo de sua vida pública, pelo seu compromisso com as questões políticas e com sua conduta social, sem preconceito com seu nível de escolaridade.

“A sociedade brasileira é a nossa maior riqueza, precisamos valorizar e respeitar esta magnífica diversidade humana, étnica, cultural, religiosa e política, a começar pelo respeito aos candidatos, que são o espelho desta sociedade, por eles representada”.

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