Pedágio para quem?

Postado por: Juliano Roso

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O governo do Estado conseguiu aprovar recentemente na Assembleia Legislativa, o projeto de concessões de rodovias estaduais por 30 anos. A matéria, a qual votei contra, não apontou quais serão as contrapartidas que as empresas concessionárias terão de oferecer por explorar o serviço. Já vimos esse filme. O ex-governador Antonio Brito concedeu estradas por 15 anos. O resultado todos sabemos: pouco ou quase nenhum retorno aos usuários. O que vemos nessa concessão do governo Sartori ainda é uma incógnita. O projeto atual não deixa claro o que as empresas que explorarão os pedágios terão de fazer para cobrar pelo serviço, mas há temor que o modelo de concessão implementado por Britto se repita. Ou seja, pedágios caros sem retorno para a população. O estudo apresentado pelo governo gaúcho em outubro de 2015 para o modelo de concessão, que privilegiou a ERS-324, entre Passo Fundo e Nova Prata, sinaliza para um cenário pouco otimista. Na ocasião, a concessão previa a exigência de se duplicar 25% do trecho de 104 quilômetros. Se a lógica for aplicada no projeto aprovado, a empresa exploradora do serviço daria como contrapartida para a população gaúcha menos de um quilômetro de rodovia duplicada por ano. Ao final de 30 anos apenas 26 quilômetros duplicados. Por isso temos de questionar se uma privatização como essa é de interesse da sociedade. Quero salientar que não sou contrário ao pedágio, desde que esse tenha preço adequado e resulte em obras efetivas para seus usuários. Não podemos permitir que, mais uma vez, sejamos refém de um contrato que é bom apenas para um dos lados. Nesse caso, tudo indica, que, mais uma vez, a população gaúcha sairá perdendo.

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