A experiência da liberdade e construção da segurança

Postado por: Israel Kujawa

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A liberdade e a segurança são duas dimensões centrais na vida das pessoas. O descuido e falta de consciência a respeito do espaço que cada uma delas deve ocupar no comportamento de uma pessoa pode acarretar em uma vida de pânico, por falta de segurança ou uma vida de escravidão, por falta de liberdade. Uma diretriz estruturante na relação entre estas duas dimensões da nossa existência indica que o aumento do espaço para a liberdade diminui o espaço para a segurança, sendo válido o entendimento indicando que, o aumento do espaço para a segurança diminui espaço para a liberdade. O desejo de viver a liberdade é uma referência sedutora no comportamento das pessoas e acompanha o histórico da nossa civilização. Zygmunt Bauman, um pensador de noventa anos, está entre os escritores mais lidos da atualidade. Entre as razões que despertam interesse dos seus leitores está a capacidade que ele tem de descrever as relações entre a época que estamos vivendo e o comportamento das pessoas. Ao caracterizar o atual estágio da nossa existência social, Bauman o nomina como tempos líquidos. Por oposição conceitual é fácil compreender que líquido se contrapõem a sólido, rígido, duradouro e permanente. Em consequência, a época atual nos desafia e experimentar a liberdade do novo, do diferente em quantidades que geram o aumento da insegurança. Entre as histórias, parábolas e mitologias que representam essa difícil convivência entre a segurança e a liberdade pode ser destacada a relação entre Adão e Eva com a maçã, no paraíso. Mais recentemente, a aproximadamente cinco séculos atrás, quando os referencias Teocêntricos cederam gradativamente espaços para os referenciais Antropocêntricos, o ser humano passou a experimentar o aumento das sensações de liberdade. Esta liberdade estava simbolizada na superação e desconsideração de existência em um referencial Divino a ser respeitado, temido e obedecido. No entanto, como a liberdade não se visualiza sem a referencial da segurança, este passou a ser ocupado pela razão e pela ciência. Ocorre que, na segunda metade do século XX, o ser humano passou a perceber que a razão não assegurou a liberdade e que a ciência não efetivou a segurança almejada. Em consequência disto, vivemos uma época em que os referenciais anteriores estão sendo desconsiderados ou rejeitados. No entanto, os novos referências ainda não estão socialmente consolidados. Entre as diretrizes, postas para o comportamento, está a liberdade em não precisar seguir referências, em consequência, por implicação conceitual e prática, aparece a insegurança da falta de referências. Neste modo de pensar, interpretar e descrever estas duas dimensões constitutivas de todas as pessoas e do comportamento social, o aumento da liberdade, ao não precisar respeitar os limites de normas, de regras ou de autoridades, significa exercitar o novo e o imprevisível, diminuindo à segurança.

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