Os derivados do Fusca no Brasil

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Nem só de Fuscas viveu a VW do Brasil em seus primórdios. No Brasil, como sempre teve uma certa autonomia da matriz alemã, a filial acabou por desenvolver carros bem diferentes dos que eram produzidos ao redor do mundo, praticamente criando uma nova raça de VW refrigerados a ar derivados do Fusca. E você certamente conhece alguns.

Foram produzidos pela VW do Brasil além do Fusca, a Kombi, o Karmann Ghia, o VW 1600, a Variant, a TL, o SP e a Brasília, todos com motor boxer refrigerado a ar montado na traseira.

A Kombi foi montada no Brasil entre 1957 e 2006 com motor refrigerado a ar e a partir daí até 2013 com motores refrigerados a água. Talvez o utilitário mais conhecido do mundo, hoje os modelos chamados “corujinha”, produzidos por aqui até 1975, são muito procurados e inclusive importados por colecionadores europeus e norte-americanos.

Em 1962 saiu da linha de produção o primeiro Karmann Ghia brasileiro. O VW de design europeu de dois lugares e com linhas esportivas era lindo e de um projeto primoroso, mas seu alto preço era um problema para as vendas em solo brasileiro. No Segundo semestre de 1970 foi lançado o Karmann Ghia TC e em 1975 suas vendas foram encerradas. É um dos modelos mais cobiçados no mercado de colecionadores e um exemplar em bom estado de conservação alcança fácil o preço de um carro novo de luxo.

O VW 1600 ou popularmente conhecido como “Zé do Caixão” ou “Saboneteira” foi fabricado somente no Brasil entre 1968 e 1971. Um sedan com 4 portas e silhueta marcadamente retangular, foi popular entre os taxistas da época, mas não caiu no gusto popular e vendeu muito pouco.

Acompanhando a linha de modelos europeus, mas guardando sua identidade, a VW brasileira lançou em 1969 a Variant e em 1970 a TL, uma perua e um “fastback”, respectivamente. Uma diferença marcante desses dois modelos é que tanto a Variant quanto a TL tinham o motor montado na posição horizontal.

Projeto exclusivo da VW do Brasil, a Variant II estreou em 1977 como modelo 1978 e foi o derivado a ar mais avançado da VW. Contava com suspensão dianteira McPherson e traseira com braços semi-arrastados, o que proporcionava um conforto de rodagem muito superior aos irmãos da linha a ar. Bastante silenciosa, com enorme área envidraçada e linhas angulosas, a Variant II foi comercializada até 1981 e deixou saudades.

Batizada em homenagem a capital do país, a Brasília foi criada para ser o “fusca brasileiro”. Com mais espaço interno, maior área envidraçada, maior área para bagagens, design atualizado e a mesma mecânica robusta e confiável do velho besouro, a Brasília foi lançada em 1973 e comercializada até 1982.

O SP, projeto genuinamente brasileiro, mesmo hoje se destaca pela suas linhas modernas e agressivas. Teve duas versões: o SP1, com motor de 65cv e o SP2, com motor de 75cv, alguns instrumentos a mais e detalhes de acabamento de melhor qualidade. Foi produzido entre 1972 e 1976 e foi considerado como “o VW mais lindo do mundo” em sua época.

E você? Tem alguma história com algum desses derivados do Fusca? Conte para a gente aqui nos comentários! 

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