“Pede pra sair”, governador!

Postado por: Dilerman Zanchet

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Às vezes penso estar vivendo em um país rico, intercontinental, com uma educação de primeira linha, sem problemas de saúde pública, com déficit público zero, PIB elevado, onde o salário não é salário, mas um bom provento, suficiente para que uma família normal (não os abastados) possa viver com dignidade e segurança, com casa própria, automóvel, viagem de férias, etc.

Mas só penso.

A nossa realidade é completamente inversa a isso.

A situação é complexa, mas vou ater-me a comentar da pobreza estrutural de meu Rio Grande do Sul, já que, para comentar a situação brasileira, precisaremos de mais que um espaço de artigo. Ocorre que analistas econômicos e políticos afirmam que a crise econômica gaúcha é antiga. São mais de 40 anos assim. Os governos estaduais, há mais de 10 “gestões”, incluindo um período em que alguns chamavam de “ditadura”, passaram por um processo de destruição do Estado. Incharam a máquina pública, criaram e aprovaram leis inconvenientes, incompatíveis e imorais, em prol de votos e benefícios, partidários ou pessoais.

Não foi à toa que o Rio Grande fez figuras históricas na política brasileira. Grande parte deles passaram pelo legislativo ou pelo executivo gaúcho. E fizeram “merda”.

É simplesmente vergonhoso saber que uma pessoa foi conduzida ao cargo máximo do legislativo estadual e, em mais de 18 meses, não resolveu um problema que já sabia, iria enfrentar. Não tivesse um projeto, um plano, A, B ou C, que não tivesse se metido.

Os gaúchos votaram, em sua maioria, contra o governo anterior. E isso conduziu este, que aí está, ao Piratini. Não significa que tenha sido a melhor opção.

No entanto, não é admissível que, em tanto tempo, não tenha encontrado uma saída. Ora, seu quadro de secretários está repleto de deputados, que foram eleitos para o legislativo mas exercem funções no executivo.

Está tudo errado. Como vai encontrar uma solução se tudo é política? E das nojentas, tipo toma-lá-dá-cá?

O Estado é uma teta. Todo mundo quer mamar. Os governos incharam o corpo estatal com empresas que até foram úteis, tempos atrás, mas que atualmente não servem para nada.

Querem um exemplo claro?

Pasmem: Recebi um e-mail de “prestação de contas de serviços em obras” que o DAER está realizando no Estado. Uma piada, não fosse utilizar o serviço de um funcionário público, internet, computadores, etc.

Você acredita que o DAER está fazendo reparo asfáltico em mais de quatro dezenas de rodovias estaduais, patrolagem, tapa-buracos, capina e limpeza em todas as rodovias do RS? No e-mail não diz, por exemplo, que tudo isso é terceirizado e que esta “autarquia, departamento” é um dos maiores terneiros da teta estatal. Porém, ainda paga, e muito bem, seus funcionários.

Não serve pra nada. Meia dúzia de pessoas competentes na Secretaria dos Transportes poderia fazer o que centenas ou milhares deles fazem.

Como nenhum homem ou mulher que sentar na cadeira de governador tem a coragem de terminar, encerrar, acabar com este tipo de coisa, o Estado vai continuar atolado pelos próximos 40 anos. Ou mais!

E a vergonha de parcelar salários, continuará.

Só nos resta invocar o Capitão Nascimento para dizer: “Pede pra sair, governador”. Ainda é a saída mais honrosa.

Semana que vem tem mais.

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