Poderes perversos

Postado por: Neuro Zambam

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O ditado popular que diz: “quem tem uma caneta pode mudar o mundo” orienta essas breves linhas que têm como meta refletir sobre as relações de poder e o quanto pode ser maldoso quando orientado por interesses individualistas e sem o devido esclarecimento público.

O poder exerce um fascínio incontrolável sobre o ser humano. A busca pelo poder é uma paixão que por vezes parece não ter limites. Os pequenos cargos, as possibilidades de influenciar, ver o nome escrito numa ata ou placa, ser citado em público, até os postos de decisão relevantes encantam, incentivam sonhos, ampliam horizontes e justificam sacrifícios incalculáveis e às vezes desumanos.

A boa administração do poder, a clareza sobre o momento em que se deve deixar o posto que se ocupa em vista de metas maiores e mais sensatas, ou mesmo a percepção que outro ou outros têm condições de exercê-lo melhor, com melhores projetos e com resultados mais promissores parece uma tarefa árdua demais para um homem ou uma mulher, por mais que os discursos esclareçam o contrário.

A perpetuação no poder está na origem das maiores perversidades que ocorreram ou estão ocorrendo na humanidade. Por exemplo, as guerras são consequência, normalmente, da vontade de ditadores, corporações ou grupos que querem, precisam e lutam para se manterem no poder a qualquer custo.

As crises que atormentam muitas entidades, instituições, empresas, sindicatos e outros têm na sua origem a paixão pelo poder e o seu mau uso. As pessoas que estão no seu entorno são vítimas, seja pelo poder de exclusão, seja pelo poder de cooptação que torna o outro vulnerável e objeto de uso dos líderes.

Quem nunca foi vítima desse poder avassalador, sorrateiro e recheado de discursos muitas vezes até com uma retórica de crescimento, oportunidades e visando novas conquistas?

As doenças ou patologias do poder acompanham a saga humana. Entretanto, são desenvolvidas entre aqueles cujos talentos sevem à busca desenfreada e sem limites pelo poder ou pela sua própria manutenção como referência, mesmo que seja do nada ou da sua própria ilusão.

A observação da capacidade de atuar em benefício próprio daqueles que se perpetuam no poder ser um excelente exercício da autocorreção, de humor observando as artimanhas da ilusão ou mesmo de prevenção contra o desenvolvimento das próprias patologias.

Os pensamentos e comentários que norteiam nossas conversas e rodas de convivência poderiam, por vezes, passar pela observação de como os nossos líderes exercem e se apaixonam pelo poder. Ali pode estar nossa fotografia. Observe isso.

            

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