Coronel Recepcionista

Postado por: João Altair da Silva

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Coronel  Recepcionista


               Que tal escalar  o presidente, o diretor, o gerente, em fim os funcionários mais caros para trabalharem  na recepção da empresa!  Seria um contra senso, não?  Felizmente, nas empresas privadas, onde se trabalha com  racionalidade  isso não ocorre.   Trata-se puramente de uma questão lógica, administrativa,  racional,  e mais, até mesmo de sobrevivência do próprio negócio. No setor público onde existe pouca responsabilidade é diferente.   Não é demérito à  nobre função de recepcionista, mas cada profissional deveria exercer sua atividade,  sem desvio de função.  

            Onde estou querendo chegar?  Em diversos locais, aí na sua prefeitura, na sua secretaria, mas, sobretudo, no Palácio Piratini.  Em uma  rápida passagem lá pelo saguão do Palácio  tive uma recepção vip,  não por ser profissional de imprensa, até porque nem havia me identificado,  percebi que o recepcionista atendida a todos com muita simpatia.  De terno, elegante, ali estava um coronel da Brigada Militar recebendo os visitantes. Profissional que  certamente ganha seus R$ 15 mil por mês, valor que pode ser agregado quando se chega justamente no Palácio Piratini, poderia ser substituído por uma secretária competente com um custo infinitamente menor para os cofres públicos.  E esse oficial superior deveria estar prestando serviço lá na segurança pública, comandando tropas, fazendo o serviço para o qual foi contratado pelo Estado e devidamente formado.  Pior é que está "assim" de oficiais superiores da Brigada Militar e delegados de polícia, profissionais caros, gravitando entre o Palácio, Secretarias de Estado, e, principalmente, na Assembleia Legislativa. Muitos, desempenhando funções junto à Comissões Legislativas e Gabinetes, que, com todo o respeito,  estagiários poderiam muito bem realizá-las.  Aliás, em muitos casos, nem haveria necessidade desse pessoal. 

              O simples desvio de função não seria o problema, se o servidor fosse bem empregado, trouxesse resultado para a sociedade à altura do que é esperado e fazendo jus aos proventos que recebe mensalmente. A gravidade do problema é que a mão-de-obra dessa gente normalmente, além de cara, é desperdiçada  mesmo. 

           Analise a situação dos servidores aí na sua prefeitura,  vai constatar que há algo semelhante. Ou, ao contrário,  gente que não tem as mínimas condições ocupando secretarias municipais. Como eles são despreparados, não sabem o que fazer, sobretudo, quando são nomeados para secretarias burocráticas como a fazenda, administração e planejamento, apenas assinam documentos.  Os servidores de carreira se encarregam de conduzir a pasta.  Esses que não fazem nada são servidores  dispensáveis,  que numa administração coerente nem deveriam ser nomeados.    Muitos nem comparecem efetivamente ao trabalho mesmo nas prefeituras. Como não fazem falta, dependendo do prefeito, não dão expediente integral.  

    Tomando apenas o exemplo da União, é por isso que o governo federal brasileiro tem mais de 20 mil cargos de confiança, enquanto o dos Estados Unidos tem quatro mil e uma economia cinco vezes maior de que a nossa. 

       Os reflexos dessa ingerência, embora não pareça, se traduzem nas mazelas da saúde, da educação, da segurança.  Desperdício de um lado e falta de recursos do outro.

       O Tribunal de Contas teria que ser mais rígido.  É inútil contar com as controladorias e corregedorias, em qualquer instância de governo.  Os chefes são cargos de confiança e sempre procuram esconder essas anomalias. Esperar pelos prefeitos, governadores, presidente da República, ou dirigentes de outros poderes, onde o problema se repete, é inútil.  A maioria assumiu o compromisso do empreguismo para chegar ao poder.  


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