Os erros de Bolzan

Postado por: Cristian Queiroz

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Quando uma partida começa, três coisas podem acontecer: Vitória, empate ou derrota, a menos que um atentado terrorista, um desmoronamento de arquibancada ou algo igualmente grave aconteça e o jogo não termine. Vencer, empatar ou perder é do jogo, já disse isso antes. O que não é aceitável é perder sem ver a cor da bola, ser totalmente inferior ao Botafogo (com todo respeito que o Botafogo merece), que briga desde o início da competição para não cair, e mais, perder para o Botafogo tomando gol de bicicleta.

Contra o Botafogo o Grêmio fez a sua pior partida no Brasileirão, nada deu certo, todo o time foi muito mal, do 1 ao 11. Fala-se muito dos erros de gestão do Internacional, e talvez, em meio à crise colorada não percebemos os equívocos do presidente Romildo Bolzan Junior. Em meio ao campeonato, com boas chances de título, o Grêmio negociou o Giuliano e o Bobô. Para o lugar, trouxe o? Ninguém. Abriu mão de um jogador titular e que hoje está na Seleção Brasileira e não trouxe ninguém para repor. Abriu mão de um centroavante, que ao menos era opção para o banco de reservas. Desde o início do ano, a lateral esquerda carece de qualidade técnica, e quem o Grêmio trouxe? Ninguém. Segue com Marcelo Oliveira e afastou o Marcelo Hermes por briga de beleza. No meio tem o Douglas, que já com certa idade, e quando ele não vai bem, no banco temos o …….. para substituí-lo (se alguém conseguir preencher a lacuna, fique à vontade). Isso mostra que, mesmo sem desejar, o que Grêmio estava na briga pelo título, mas como o tricolor sofre de títulofobia, tratou logo de sair dessa disputa. Ainda tem a Copa do Brasil, mas ontem mesmo fui lembrado por uma gremista que em mata mata esse ano o Grêmio foi eliminado pelo Juventude.

Na semana que passou, um Tribunal de Justiça cometeu um crime contra o Grêmio. Lembro em 2014, o caso do goleiro Aranha. Uma torcedora do Grêmio cometeu um ato racista contra ele, foi julgada e condenada por todos. Todos os torcedores do Grêmio foram taxados de racistas. Um programa de TV puxou os primeiros anos da história do tricolor, lá em 1903 quando só havia jogadores de pele branca no time, para mostrar o quanto os azuis são racistas. Como punição pelo crime cometido por uma torcedora, o time foi banido de uma competição nacional. Recordo que o então presidente Fábio Koff afirmou que se a punição ao Grêmio servisse para acabar com o racismo no futebol ele ficaria satisfeito.

Pois é, mas não serviu. Atos de racismo continuam acontecendo. Na última semana, o STJD julgou o Atlético PR por esse motivo. No jogo contra o Palmeiras, um torcedor atleticano foi flagrado pelas câmeras da TV Palmeiras chamando um jogador alviverde de macaco. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que dois anos antes baniu o Grêmio de uma competição por um torcedor cometer o crime de injúria racial, desta vez apenas aplicou uma multa de R$ 10 mil para o clube paranaense, que incorreu no mesmo crime.

Sim, isso mesmo, dois pesos e duas medidas.

A Justiça sendo injusta.

Isso só comprova, que esse tribunal, no caso do Grêmio, jogou para a torcida, julgou de acordo com o que a mídia do centro do país queria. A justificativa é que neste caso apenas um torcedor cometeu racismo, enquanto no Grêmio foram mais. Mas o que muda? Será que para quem é vítima de um crime como esse, importa quantos são os seus algozes? Racismo é um crime terrível, quem vê diferença entre as pessoas devido a sua cor de pele deve sim ser punido. Agora, a punição deve ser a mesma em todos os casos, senão o tribunal perde acaba ficando sob suspeita.

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