As disputas de poder, a eleição indireta e os modelos de organização social

Postado por: Israel Kujawa

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O mês de setembro de 2016 iniciou sob o comando de um novo representante do poder executivo no Brasil. Este acontecimento, sem a participação direta dos eleitores, foi precedido por manifestações contrárias e favoráveis ao governo deposto. Entre as razões que motivaram os protestos contra o governo da Presidenta Dilma e seu partido, estava o envolvimento de seus apoiadores, em corrupção. Por outro lado, há outro conjunto de razões que motivaram e continuam motivando os defensores da antiga administração, vinculado a um modelo de organização social que provocou uma intensa mobilidade, por meio de políticas sociais, ampliando os espaços de acesso ao ensino técnico, ao ensino superior e ao consumo.

As disputas de poder entre grupos de pessoas e instituições podem contribuir para o aperfeiçoamento e fortalecimento ou para o enfraquecimento e aniquilamento da mesma. Quando estas disputas são motivadas por agentes e por interesses externos e põem em risco o bom funcionamento de uma instituição, todos os envolvidos devem ser mobilizados para que os mesmos não prevaleçam em relação aos interesses internos. O mínimo de inteligência sinaliza que o aumento das disputas nos anos de 2015 e 2016 estão sendo prejudiciais para o Brasil. Grandes empresas nacionais pararam de trabalhar em decorrência de uma investigação que deveria ser motivada por objetivos técnicos e jurídicos.

Sabemos que o livre mercado e a livre concorrência, incluem interesses geopolíticos de grupos econômicos e de Estados. Não é inteligente pensar na ampliação da valorizações e do reconhecimento de uma instituição, neste mundo globalizado, sem relacionar o conflito e as disputas de interesses. Contudo, quando não se trata de uma empresa privada, nem um clube de futebol, mas um país, as necessidades dos conjuntos dos brasileiros devem ter prioridade no debate e nas ações.

A exemplo do que aconteceu na década de 1960, as disputas pelo poder estão sendo fortemente influenciadas por fatores que ultrapassam o objetivo de combater a corrupção. Cabe aos diretamente envolvidos, que é o conjunto dos brasileiros, identificar o que está em jogo, observando o que não aparece e qual deve ser a prioridade. Os fatos vinculados a um modelo de organização social tem relação com estas disputas e com a deposição do governo eleito em 2014, mas foram poucos debatidos e esclarecidos. A eleição indireta de um novo líder para comandar o poder executivo do Brasil, que foi feita pelo congresso nacional, dificulta o debate e a participação dos interessados e não resolveu a crise política, econômica e jurídica que afeta especialmente as camadas sociais com menor poder aquisitivo.

 

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