Cassado, mas casado

Postado por: Neuro Zambam

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A tão sonhada cassação do Presidente da Câmara dos Deputados é o retrato de um casamento que chega ao fim de supetão por falta de estratégias e planejamento. A essa altura eu não sei quem está mais arrependido. Quem anoiteceu parecendo sem culpa, ou quem foi defenestrado com a sensação de que, ainda assim, pouco foi feito.

As coincidências são, simultaneamente, fáceis de entender e complexas para a sua compreensão. O retrato da votação da admissão do impeachment e a traição ao presidente nesta semana revela a impossibilidade de sequer imaginar um país descente nas próximas décadas.

No mesmo palco ficou exposta a forma de se fazer política no Brasil e como se leva adiante os projetos em vista do bem comum. Na verdade, do auto interesse, do bem individual e das poderosas corporações que dominam os meandros do poder desde o seu início.

Uma prática perversa se combate e supera com práticas, ações e planos não perversos. A impressão é nítida no centro do poder: trocam-se as figuras, mas a dança segue no mesmo ritmo.

O sistema de compadrio, o toma lá da cá, é nítido. A impossibilidade de saber o rumo a seguir e outras mazelas. Quando a perversidade se torna a norma fundamental, a normalidade passa a ser ridícula.

O presidente deixou o posto de maneira forçada, de costas para os pares, escondendo-se da nação, recusando “o frente a frente”, mas beneficiado pela rotina do poder e das entranhas da história e dos apoios velados, mas vivos e atuantes.

Soma-se à rotina do poder as renúncias e seus comentários desabonadores, a carência de explicações, demissões com denúncias que lembram um passado nem tão recente, a ausência de entrevistas e pronunciamentos, e assim vai. O desejado debate público, tão caro às sociedades equilibradas parece longe de ser visto.

Os 10 e os 20 parecem ser os heróis. Pela lealdade. Por que isso não é o senso comum? Talvez porque os casamentos, de fato não se desfazem.

   

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