As principais revelações diante da cassação de Cunha

Postado por: Clovis Oliboni Alves

Compartilhe

Nesta última segunda-feira (12), chegamos ao desfecho final de um longo e intrujado processo de cassação, contra o ex-presidente da Câmara de Deputados Federais, deputado Eduardo Cunha. A definição do processo pela cassação do deputado atendeu ao clamor público das ruas, sendo uma tentativa derradeira dos parlamentares, de resgatarem a credibilidade política para com a sociedade, diante de uma das maiores crises ética e morais já vividas pelo Congresso Nacional, que está com sua imagem enlameada por escândalos de corrupção, envolvendo a classe política do Brasil.

  Pressionados pelos eleitores nas ruas, os deputados federais que agem como cabos eleitorais nestas eleições municipais, viram-se obrigados a darem respostas rápidas e imediatas a sociedade brasileira, com relação ao processo de cassação do deputado e ex-presidente Eduardo Cunha. Acusado por quebra de decoro parlamentar, por mentir durante a CPI da Petrobras, Cunha e seus fiéis aliados, conseguiram protelar durante meses a votação do processo. O então presidente da casa, Eduardo Cunha, era considerado como um dos políticos mais articulado e poderoso na Câmara, graças a sua influência e apoio de um verdadeiro “exército” de deputados aliados, seus “fiéis escudeiros”, chamados de “Tropa de Choque de Cunha”. Em tese, o poder de Cunha estava no fato de ele ser o articulador e distribuidor das propinas generosas, aos demais deputados aliados, quando da votação de projetos de interesses obscuros, que traziam vantagens financeiras bilionárias a grupos corporativos ou ao próprio governo. Para os adversários políticos era um insano, frio e calculista, imoral... Odiado pelos governistas por aceitar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma e aprovado o mesmo sob seu comando, tornou-se o algoz do governo Dilma e figura permanente nos protestos das ruas, que entoavam o “Fora Cunha” de maneira incisiva, por todos os cantos de nosso País.

A derrocada de Cunha já era esperada, pois diante dos desdobramentos da Operação Lava a Jato, muitos dos envolvidos buscaram o benefício da delação premiada, delatando outros comparsas, dentre eles, o próprio Cunha. A polícia federal aguarda ansiosa pela suposta delação premiada de Eduardo Cunha, que já mandou o seu recado para os seus “colegas” parlamentares e membros do governo, sinalizando de que irá causar mais estragos a partir de agora. O comportamento personalíssimo e corporativista dos parlamentares, hoje é uma pequena mostra de como é o comportamento social da população de um modo geral, tirando algumas exceções é claro. É evidente a crise política partidária e ideológica existente em nosso País, basta analisarmos o comportamento dos parlamentares, que se posicionam e votam, por convicções pessoais ou corporativistas, onde as bancadas ali formadas, tais como: bancada ruralista, ambientalista, evangélica..., acabam dando as diretrizes de como os parlamentares devem votar, algumas vezes, contra as convicções e deliberações dos próprios partidos. A votação expressiva e esmagadora favorável à cassação (450 votos favoráveis, 10 contra e 9 abstenções), expôs o isolamento político pelo qual o ex-presidente Cunha se deparou neste momento, além é claro, da força da opinião pública sobre este fato. A ampla maioria dos parlamentares, não quis pagar o preço de estar ao lado de Cunha nesta hora.

De fato, a cassação do deputado Eduardo Cunha, nos deixa alguns ensinamentos e expõem o sistema perverso, que até então predominou nas votações da Câmara, mantidos sob sigilo e guardados a sete chaves pelo corpo parlamentar, hoje desnudados pelos desfechos da Operação Lava a Jato, promovidos pela Polícia Federal. Com o desfecho da cassação, o povo brasileiro, começa a readquirir a confiança na política, na ética e moral da justiça e dos órgãos públicos de um modo geral. “Que venham os próximos envolvidos, as próximas cassações e prisões, pois a sociedade brasileira precisa e merece uma depuração ética em nossa política”.

 

Leia Também Demitido por vender vacina da gripe A Como saber se estou correndo rápido? Acordo prevê ações de sustentabilidade na administração pública Ernestina – sempre foi Dona Ernestina