A convicção e os fatos

Postado por: Israel Kujawa

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A capacidade de identificar as relações entre imaginação e realidade deve ser exercitada, pois, nessas relações estão as bases para o entendimento da história humana em geral e para construção da realidade social individual. Clássicos da literatura brasileira, como por exemplo, Dom Casmurro, demonstram como um pensamento, mesmo sem comprovação dos fatos, influencia comportamentos. Livros importantes, que reconstroem a história do Brasil, como Batismo de Sangue, mostram que em nome de se evitar uma ditadura comunista, muita desumanidade foi praticada. No campo social, pode ser dito que a reprodução de teorias que naturalizam (afirmam que é natural) situações de pobreza, de ignorância e de miséria, contribuem para que esta situação não seja alterada por ações individuais e coletivas.

Nos momentos históricos em que há uma divisão radicalizada, por vezes sectária, diante de determinados episódios, se faz necessário ir além dos mesmos para superar os limites do confronto entre dois modos de descrição. Algumas análises dos acontecimentos divulgados no Brasil, na segunda década deste século, são mais completas, se comparadas com os ocorridos e pouco debatidos, no início da segunda metade do século XX. A deposição de um presidente, João Goulart, segundo uma das formas de reconstruir a história, foi para que o Brasil estivesse livre das ameaças do comunismo. Segundo outra, serviu para impedir intervenções sociais, por meio de ações estatais, na concretização das reformas de base, que viabilizariam o acesso universal à educação básica, a redistribuição mais justa da terra e a garantia de mais e novos direitos para a classe trabalhadora.

O conjunto dos eventos políticos, debatidos nesta década, sintetizadas na eleição, feita pelo congresso nacional, de um novo presidente para Brasil, está na base de uma divisão radicaliza, que limita a compressão adequada de outros fatos relevantes. Esta eleição separa e, por vezes, confronta duas convicções, com violência física e psicológica. Uma afirma que estamos vivendo em um estado totalitário, comandados por um presidente eleito de forma indireta, sem a garantia dos direitos democráticos, a exemplo do que ocorria no século passado. Outra afirma que estamos vivendo em um estado democrático, que está punindo um partido, simbolizado em seu principais líderes (chefes), que não respeitaram a lei.

 A opção por conversar a respeito de uma convicção e não a respeito de outra, pode ocorrer de forma involuntária ou inconsciente. A disseminação de fatos, advindos de uma certeza, tem influência na forma de pensar e de agir. Esta divulgação tem o poder de mobilizar a opinião pública em favor de um objetivo específico. No entanto, ao mesmo tempo, esconde outros objetivos, tão ou mais importantes, como por exemplo, se os recursos naturais como a água, a terra e as riquezas minerais, devem estar sobre o controle público ou sob o controle privado, de grupos econômicos que visam lucro.

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