Dia Internacional da Paz

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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No último dia 21 de setembro (quarta-feira), comemoramos o dia internacional da paz. Declarado pela Organização das Nações Unidas – ONU, em 30 de novembro de 1.981, este dia passou a ser comemorado no mundo todo, como um dia de reflexão e de ações que promovam a paz mundial. Aqui no Brasil e no Rio Grande do Sul especificamente, não foi diferente, escolas, organizações não governamentais e governamentais, realizaram atos e protestos, pedindo paz e segurança às autoridades, sendo que a pauta “segurança pública”, transformou-se em um clamor público para os gaúchos.

Na década de 80, quando se promoveu através da ONU, um dia para chamarmos a atenção da comunidade mundial pela paz, jamais se imaginou que 35 anos após, estaríamos diante de uma verdadeira “guerra civil”, promovida pela sociedade brasileira. Na época, a preocupação da comunidade internacional, era com as guerras entre Nações, conflitos por questões de interesses econômicos, ambientais, territoriais e até mesmo religiosos. O que nós brasileiros não imaginávamos, era o colapso na segurança pública do Brasil que estamos nos deparando hoje.  Existem vários fatores que influenciaram para que chegássemos a esta situação, porém, os principais são: marginalidade social, fruto da omissão e falta de políticas públicas de inclusão; sucateamento dos órgãos de segurança pública; incapacidade do poder público em realizar ações preventivas e coercitivas à violência; organização e aparelhamento do crime organizado. A sociedade brasileira e especificamente, o povo gaúcho, já não agüenta mais a insegurança que se abateu em nosso Estado. Os criminosos estão cada vez mais audaciosos e violentos. Já não temem nem mesmo a polícia e praticam os crimes a luz do dia, em locais até então tidos como seguro por todos nós. Matam sem piedade, não importando a idade, sexo ou o comportamento da “vítima” na hora da ação criminosa. De dentro dos presídios, as facções criminosas comandam os crimes nas ruas, que se intensificam conforme a necessidade financeira dos criminosos. A vida para eles não tem valor, vivem em uma sangrenta batalha entre facções e a polícia, onde a ordem é : “matar ou morrer”. 

O governador do Rio Grande do Sul, após cometer vários equívocos e “trapalhadas” com a segurança pública do Estado, solicitou o apoio e intervenção da Força Nacional de Segurança. Embora tenha um efetivo treinado e capacitado para ações de segurança pública, os 120 agentes empregados na operação, pouco farão em termos de ações e resultados efetivos contra o crime organizado. A ação ostensiva da Força Nacional nas principais avenidas e locais públicos de grande incidência de roubos e furtos, traz uma falsa sensação de segurança aos gaúchos da capital, porém, as ações de combate ao crime organizado, o aparelhamento dos órgãos de segurança pública, as melhorias na infraestrutura dos presídios e nos centros de internação de adolescentes, estas não estão ocorrendo, ou seja, mais uma vez estamos diante de políticas para “inglês ver”. São ações desesperadas do governo do estado, tentando corrigir “barbeiragens” anteriores promovidas pelo ele, que não irão mudar o cenário de insegurança e também não vão reduzir os índices de criminalidade. Quantos pais, mães, filhos e cidadãos de bem precisarão perder a vida para que o governo gaúcho tome atitudes com resultados efetivos? Quantos trabalhadores e trabalhadoras ainda irão morrer? O que a sociedade gaúcha não pode é aceitar passivamente a esta situação. Não podemos achar que isto é “normal”, que a insegurança faz parte de nosso cotidiano... A maioria de nossa sociedade é formada por pessoas de bem,  honestas e trabalhadoras. Não vamos nos render a uma minoria criminosa e covarde, que age sorrateiramente em nossas comunidades. O poder público nos representa e deve dar as respostas ao povo gaúcho com ações urgentes, enérgicas e eficazes.

Infelizmente no dia internacional da paz, pouco ou nada temos o que comemorar, mas sim, ao que protestar, reivindicar e cobrar dos governantes que se mantenha a ordem pública, que nos dê segurança, paz nas ruas de nossas cidades e acima de tudo, nos garanta a vida. Aos milhares de gaúchos e gaúchas que perderam a vida de maneira violenta e estúpida, só nos resta lamentar. Tiveram suas vidas e suas famílias, destruídas pelo crime, pela irracionalidade brutal e bárbara dos bandidos, corroborada pela inércia e incompetência do governo.

      

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