A qualificação do ensino médio não acontecerá por decreto

Postado por: Israel Kujawa

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A educação pública básica do Brasil, na qual se inclui o ensino médio, precisa de muitas alterações. Vou referir três, começando pelo acordo, convicção e cultura social da sua universalização, insistindo na sua ofertada para todos, independentemente da condição social, econômica e cognitiva. Outra alteração passa pela motivação externa e subjetiva do educador e do educando em aprender. A terceira está focada nas condições materiais e pedagógicas das escolas e dos professores.

A universalização do acesso está legalmente instituído pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96. Esta lei, motivou um conjunto de normatizações e políticas posteriores que culminam no Plano Nacional de Educação de 2014 (PNE 2014), preconizando o atendimento escolar, no ensino médio, para 100% dos adolescentes entre 15 a 17 anos.  O respeito ao conjunto das metas do PNE 2014, implica em compromissos contínuos para a eliminação de desigualdades históricas nas condições de acesso à educação em nosso País. No entanto, as iniciativas governamentais, em cumprir a lei da universalização do acesso, se confrontaram com as condições sociais dos educandos e com a cultura pedagógica e escolar cristalizada, de acolher apenas aos estudantes que cumprem determinados critérios, econômicos e cognitivos.

A motivação subjetiva, individual para aprender é influenciada por fatores externos localizados nas condições de vida de cada estudante. Na medida que um estudante é pressionado, pela condição econômica, para auxiliar no atendimento das condições materiais mínimas para do seu grupo familiar, restringirá ou até anulará os espaços da motivação externa para estudar. Somando a cultura da visão imediatista, individualista do consumismo, que se contrapõem com os resultados da educação, que são de longo prazo, coletivistas e humanistas, temos como resultado um baixo nível de motivação intrínseca (subjetiva) para o aprendizado ofertado pelas escolas.

A alteração das condições materiais (espaços físicos e equipamentos) das escolas, a capacitação e a motivação dos profissionais, que passa por um maior reconhecimento social e financeiro, é indispensável para melhoramos os índices do ensino médio. Na capacitação pedagógica se faz necessário a mudança da cultura focada em conhecimentos formais, da especialidade de uma disciplina, desconectados de uma área do conhecimento e das situações problemas. Portanto, para enfrentar as barreiras do acesso, da evasão e da baixa qualidade, se faz necessário, entre outros aspectos, superar a falsa polêmica da ampliação do tempo na escola, da defesa das especialidades representadas em disciplinas específicas e focar nas condições, sociais, econômicas e pedagógicas que influenciam na motivação para o aprender.

 

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