Reforma do Ensino Médio

Postado por: José Ernani Almeida

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O MEC anunciou de forma bombástica uma reforma do Ensino Médio brasileiro sem a necessária consulta aos mais interessados no tema: professores, funcionários, alunos e a sociedade como um todo. Preferiu o caminho da imposição, através de uma medida provisória. 

A construção de um Currículo Nacional exige fundamentação científica sólida. A proposta parece ter o dedo de Alexandre Frota, interlocutor do Ministro da Educação! Não há dúvida de que são necessárias mudanças metodológicas, de concepção e de políticas educacionais. Entretanto, as mudanças apontam para um retrocesso ou piorar aquilo que já está ruim. 

Pelo projeto apresentado haverá um profundo descaso com Educação Física, Artes, Filosofia, Sociologia, História e Geografia. É a realização do sonho dos defensores da Escola Sem Partido. Para estes é preciso retirar do currículo os temas transversais, como o preconceito, o racismo e a intolerância. Impedir que alunos e professores discutam valores, posições éticas e atitudes políticas. A História, por exemplo, deve se limitar a ensinar o passado pelo passado, não para iluminar, com o passado, o mundo em que vivemos. Fica claro uma intenção de controle do conhecimento, barrando as áreas humanas. 

A reforma fala também na utilização de profissionais com “notório saber”. Quem define “notório saber”? Vamos substituir os profissionais da educação por meros curiosos? A proposta enfatiza a formação técnica e profissional – usada no período da ditadura militar. 

Escola não ensina só a trabalhar! 

A tendência é de que isto predomine nas escolas públicas, onde os alunos não terão acesso à área das ciências humanas. Isto é, a formação integral tão necessária, será novamente, privilégio daqueles que poderão pagar uma escola privada. 

Sou obrigado a lembrar dos ensinamentos do grande Paulo Freire: “A finalidade da educação será libertar-se da opressão e da injustiça, levando à transformação radical da realidade, para melhorá-la, torná-la mais humana, permitir que as pessoas sejam reconhecidas como sujeitos da sua história, e não como objetos”. 

Educação não é só ciência: é arte e prática, ação e reflexão, conscientização e projeto. O bom profissional é aquele que domina as competências trazidas  por uma boa educação em todas  as áreas do conhecimento. Quem se debruçou sobre textos de filosofia, sociologia, história, pode estar mais bem preparado para uma empresa moderna, para um cargo executivo, do que quem  aprendeu meia dúzia de técnicas, mas não sabe escrever, interpretar ou conviver com as diferenças no contexto social em que vive. 

Tomo como exemplo Michel Temer, que em recente reunião ministerial, disse sentir-se um Carlos Magno na Távola Redonda! O rei Arthur tremeu na cova, aquele que de fato presidia, na ficção histórica, a mitológica mesa. Temer está perdido – como o seu governo–, nas brumas de Avalon. Ou faltou a todas as aulas de História. Comparou-se ao filho de Pepino, o Breve. Também breve poderá ser o seu reinado golpista. 

É difícil encontrar o que se busca quando não se sabe ao certo o que se procura. Parece ser o caso da Reforma Educacional anunciada pelo governo. Que Darcy Ribeiro  e  Paulo Freire nos protejam.

 

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