A qualificação da escola depende de mudanças na concepção

Postado por: Israel Kujawa

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Algumas diretrizes básicas geradoras de polêmicas radicalizadas, por vezes sectárias, devem ser esclarecidas e pactuadas para que a escola se transforme em espaço de maior relevância humana e social. No desenvolvimento deste texto registramos e tematizamos três: Uma delas está vinculada com a cosmovisão ou visão geral de ser humano; outra com a caracterização da escola nas suas relações com outras referências para a sociedade como a família e o mercado; a terceira está vinculada com a concepção equivocada sobre a dicotomia entre conhecimento e ignorância e entre educar e ensinar.

Para avaliar em que medida uma instituição está em sintonia com o bom desenvolvimento social se faz necessário clarear as compreensões de ser humano que a constitui. O ser humano pode ser compreendido como um indivíduo independente, separado ou acima dos outros indivíduos. Pode ser caracterizado como uma peça de uma engrenagem, cuja função é materializar um pensamento específico, exercer tarefa determinada, adquirir determinado produto ou serviço. Uma terceira definição está vinculada com a singularidade de um ser que não existe sem os outros.

  A construção social da instituição escola, atendeu, historicamente, duas funções principais, que nem sempre convivem com o mínimo necessário de harmonia. Uma está orientada pela formação humana como ser criativo, crítico e solidário. Outra prepara mão de obra e disponibiliza consumidores para a movimentar a economia. Mais recentemente, com a ampliação e cristalização da sociedade de consumo, as crianças se apresentam como referência central no estabelecimento das diretrizes para o comportamento das pessoas. Em consequência desta mudança, vivemos sob a imposição dos desejos das crianças, que são as primeiras e principais “vítimas” do consumismo.

A escola convive com visão maniqueísta, sobre as relações entre crianças e adultos, no tema do conhecimento. Uma que se submete a ideia equivocada de que as novas gerações são mais inteligentes, tornando-as centro das atenções. Outra insiste no comportamento comprometido com a transmissão de conhecimentos previamente estabelecidos e adquiridos por quem já sabe para quem não sabe.  No entanto, a singularidade de cada ser individual, a liberdade e a velocidade das mudanças restringem os espaços para os adultos e para as escolas que se orientam pelo ensino como transmissão de conteúdos preestabelecidos. Em consequência disto, os modelos institucionais de educação apoiados nos referenciais epistemológicos que separam os inteligentes o dos ignorantes e o educar do ensinar, precisam ser superados.

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