ALÔ MULHERES – fiquem lá fora…….

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Um ambiente onde somente homens convivam, orientam, comandam, lideram ou habitam deixaria insuportável qualquer pessoa normal, imagine aqueles já um pouco perturbados. Pessoalmente tive a oportunidade de servir a duas instituições de ensino e ter como gestoras duas mulheres extraordinárias e diferentes. A pujança, a firmeza e a sensibilidade foram marcantes.

Imagino que para todo homem é uma satisfação peculiar ser filho de uma mulher, ter irmãs, conviver e trabalhar com mulheres. Elas realmente fazem uma grande diferença na vida, no ambiente, na organização de uma pessoa, empresa e nas demais áreas.

Com razão, parte das inúmeras críticas ao atual presidente da República, no início do seu mandado com pouco brilho, veio da ausência de mulheres em sua equipe.

A cidade de Passo Fundo, aliás, a maioria do Brasil, optou pelo afastamento das mulheres da política nas eleições do último final de semana. Eu não sou daqueles que pensam que a distribuição de cargos deva obedecer a critérios de amizade, sexo, simpatia ou similares.

A representatividade política precisa ser equitativa e demonstrar o modo de pensar e agir de uma comunidade, cidade ou nação. Quando faltam parcelas importantes ou singulares a harmonia fica estragada e as vozes desafinadas.

Alguém poderia dizer: Existem corais masculinos e femininos, só de crianças ou adolescentes. Mas, mesmo eu que não entendo de música percebo que a harmonia está, nestes casos, na variedade de vozes.

Na política a presença das mulheres oferece um dinamismo próprio, necessário e pujante, assim como, numa família. A sabedoria diária ensina que uma família onde uma mulher lidera as coisas, se organiza melhor e a direção não se perde.

Num debate em sala de aula na segunda feira, quando o tema aflorou, a reação das mulheres ante a provocação do por que mulheres não votam em mulheres, o silêncio imperou e a constatação que, além da falta de confiança, é visível o desinteresse dos partidos de convidar, formar e investir nas mulheres. Seria um machismo explícito ou disfarçado?

O sistema de reservas de vagas para as mulheres nas eleições não surtiu os efeitos esperados e não há perspectivas sobre uma possível mudança.

Uma análise de conjunto demonstra como a nossa política já tão desgastada e pobre, torna-se mais problemática com a exclusão das mulheres – líderes, mães, trabalhadoras, empresárias, professoras e, também necessário, políticas.

Um dinamismo dessa natureza fomenta e amadurece uma sociedade. O Brasil, já tão sofrido, perde oportunidades espetaculares em vista de dar saltos de qualidade na sua maturidade política, organizacional e composição nas suas esferas de participação e representação.

As questões de gênero que são necessárias e urgentes, embora às vezes descoordenadas, deveriam compor por meio da atuação de líderes, esclarecidos, bem formados e integrados com a comunidade entre suas ações o vigor, a tolerância, a esperança, a capacidade organizativa e sensibilidade das mulheres.

Uma política unilateral torna-se fria, parada e sem relacionamentos. Vamos caminhando rumo a mais alguns anos, com certo inverno político.  

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