Avaliação das Eleições Municipais 2016, com um olhar partidário.

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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No último domingo (02/10), realizaram-se as eleições municipais 2016, em todos os municípios brasileiros, onde estavam aptos a votar 144 milhões de eleitores. Os milhares de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos no primeiro turno, revelaram uma nova realidade político partidária no Brasil, que vive hoje uma das maiores crises políticas de nossa história, alimentada pelo impeachment da presidente Dilma, a cassação do deputado Eduardo Cunha e a crise moral e ética que se abateu nas principais lideranças políticas e empresariais de nosso País. Após as eleições, fica a sensação de que haverá mudanças no comportamento dos candidatos eleitos, na fiscalização e controle social de todas as ações públicas dos mesmos. Será possível? 

Após o encerramento do primeiro turno destas eleições, apenas 55 municípios brasileiros, dentre eles 18 capitais, irão realizar o 2º turno. As urnas deixaram uma mensagem e alteraram significativamente o cenário político partidário brasileiro, pois já era esperado que a população brasileira fosse responder e cobrar nas urnas, a falta de postura ética e compromisso social dos políticos e partidos, envolvidos nos esquemas ilícitos de corrupção. Como já era esperado, o Partido dos Trabalhadores (PT), foi o partido que mais foi abalado pela crise política, saindo do primeiro lugar no ranking partidário dos partidos mais votados no Brasil, com 17,4 milhões de votos em 2.012, para o 5º lugar neste ano, com 6,8 milhões de votos. O PSDB, foi o partido que mais cresceu, saiu dos 14 milhões de votos em 2012, para 17,6 milhões de votos nestas eleições, assumindo a liderança do ranking, seguido em 2º lugar pelo PMDB com 17 milhões de votos e pelo PSB em 3º lugar com 8,3 milhões de votos (Fonte: TSE). Como podemos observar, partidos como o PMDB, PSDB e PP, que também estiveram envolvidos no epicentro dos escândalos de corrupção desvendados pela Operação Lava-Jato, estes, ainda assim, conseguiram blindar-se das acusações, mantendo-se na liderança de votos do ranking nacional.

O Brasil possui hoje, 35 partidos políticos, registrados  junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), todos com seus estatutos devidamente homologados, suas ideologias e missões definidas e justificadas, com autonomia e identidade própria, porém, para o eleitor brasileiro, como se observou nestas eleições, existe um total descrédito nas “ideologias” partidárias e nos partidos. Raros foram os eleitores que votaram pensando nas legendas partidárias e nas bandeiras de lutas destas. Os votos se deram em sua ampla maioria, na pessoa dos candidatos e no trabalho pessoal de cada um. A maioria dos partidos políticos hoje, não faz questão de expor as suas reais bandeiras de luta ideológica, deixando o pragmatismo político se sobrepor aos velhos discursos ideológicos, que definiam de forma clara e distinta, as bandeiras de luta de cada legenda. Os partidos precisam com urgência resgatar a credibilidade e confiança dos eleitores, pois será através deles, que se fará o controle e fiscalização dos mandatos dos candidatos eleitos, que devem por força de lei, prestarem contas aos seus respectivos partidos, bem como, seguir as diretrizes partidárias deliberadas pelos diretórios partidários, sob pena de serem punidos por infidelidade partidária.

A cada pleito eleitoral, a nossa democracia brasileira, dá mais um passo para o amadurecimento político, a politização de nossa sociedade, na busca incansável por políticas públicas efetivas de inclusão social, de interesses difusos, com distribuição de renda e acesso a todos os bens e serviços públicos indispensáveis, como: alimentação, saúde, educação e segurança. É preciso despertar aos cidadãos brasileiros, sobre a importância do voto consciente, do fortalecimento e do empoderamento dos partidos políticos pela sociedade, para que em um futuro próximo, tenhamos um maior controle social sobre as ações políticas de nossos representantes. “A democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Abraham Lincoln.

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