O cérebro, a consciência e o comportamento

Postado por: Israel Kujawa

Compartilhe

René Descartes (1596-1650) apoiou a sua concepção da realidade humana, na divisão entre dois domínios independentes e separados que são o “eu penso” (mente) e “eu existo” (matéria). Essa cisão conceitual entre mente e matéria influencia a ciência e a filosofia ocidentais há mais de trezentos anos. Embora os neurocientistas saibam, desde o século XIX, que as estruturas cerebrais e as funções mentais estão intimamente ligadas, a exata relação entre a mente e o cérebro, permanece misteriosa e pouco explorada pelas diversas áreas do conhecimento. O contexto ambiental, social e histórico, é um outro aspecto não menos importante na descrição e prescrição da realidade e do comportamento.

O físico austríaco Fritjof Capra, defendeu, em obras como “Ponto de Mutação" (1982) e "A Teia da Vida" (1996), a necessidade de mudar as bases da ciência moderna positivista, pautada no sistema matemático cartesiano, pois o mesmo tem degradado a nossa saúde, bem como a saúde do planeta. No livro, "As Conexões Ocultas, Ciência para uma Vida Sustentável" (2001), Capra deu mais um passo na sua crítica. Ela passou a não ser mais uma reflexão sobre o passado e tornou-se uma análise do presente, ao refleti sobre os problemas ambientais e a falta de acesso ao mínimo de recursos necessários para uma vida saudável.  

Nesta análise desenvolveu uma estrutura conceitual unificada para a compreensão das dimensões materiais e sociais, superando a divisão entre as disciplinas acadêmicas que se organizaram e lidam com a matéria (ciências naturais) e as que buscam explicar as estruturas sociais. Para tanto, apresentou uma estrutura conceitual que integra as dimensões biológica, cognitiva e social, oferecendo uma visão unificada da vida, da mente e da sociedade. Além disto, desenvolveu um método sistêmico para descrever algumas das questões mais críticas deste momento da história humana.

Assim, a vida e a cognição (mente, consciência ou atividade mental) tornam-se inseparavelmente ligadas. Neste modo de compreender, o conhecimento, diferente do que foi estabelecido por Descartes, envolve todo o processo da vida, incluído as percepção, as emoções e o comportamento. A mudança implicada pela visão sistêmica da vida, apresentado por Capra, é um ponto central para entender as bases filosóficas e epistemológicas das diversas áreas do conhecimento, das diversas abordagens que descrevem e orientam o comportamento humano. Nesta visão está a superação do modelo cartesiano-positivista-moderno, ao estabelecer que a consciência não pode ser compreendida sem relações com o cérebro e com o comportamento.

 

Leia Também Falecimento de titular de firma individual causa a extinção da execução fiscal Treinamento psicológico e o efeito no grupo A ciência como ferramenta para a sabedoria Quebra-molas são permitidos, “em casos especiais”