VW Brasília – a releitura brasileira do Fusca

Postado por: Júlio César de Medeiro

Compartilhe

Inspirado pelo sucesso do projeto inteiramente brasileiro que havia desenvolvido o VW SP2, Rudolph Leidig, então presidente da VW do Brasil e futuro diretor mundial, encomendou, no início da década de 70, uma versão brasileira do consagrado Fusca. Este projeto deveria levar em consideração o mercado consumidor da época, privilegiando o espaço interno, design diferenciado e a mesma confiabilidade mecânica. Surgia assim, em 1973, o VW Brasília, batizado em homenagem à capital federal.

O acabamento interno era simples, mas muito bem feito. Suas linhas retas e equilibradas e a incrível durabilidade mecânica, herdada do Fusca, maior capacidade de carga com dois porta malas (um de bom tamanho na frente e outro menor em cima do motor), maior espaço e conforto interno e uma enorme área envidraçada fizeram do Brasília um sucesso instantâneo. Mas a única versão disponível, com motor 1600cc e 60cv, com um carburador Solex 30, era lento e beberrão. Isso foi corrigido somente em 1976, quando passou a contar com dois carburadores Solex 32, entregando 65cv, mais torque e maior economia.

Em 1977 foi lançada a versão monocromática, com revestimento interno mais luxuoso e confortável, combinando teto, revestimentos laterais, piso e bancos em degradês de uma mesma cor – preto ou marrom -, com acabamento acarpetado no assoalho.

Mudanças discretas no design foram feitas para os modelos fabricados a partir de 1978. Os para choques passaram a ser mais quadrados e com cantoneiras plásticas.  O capô dianteiro ganhou dois vincos longitudinais e as lanternas traseiras nova superfície estriada, semelhante aos Mercedes-Benz. Porém, a grade metálica que cobria o silencioso do escapamento na parte traseira, ponto esteticamente sempre muito criticado, permaneceria inalterada.

A versão mais luxuosa veio em 1979, batizada como LS. Apoios de cabeça nos bancos dianteiros, frisos laterais externos, borrachão nos para choques e novas cores metálicas, bem como desembaçador elétrico do vidro traseiro, relógio e vacuômetro equipavam o Brasília LS. Outro ponto muito criticado, o ruído interno, era amenizado com a adoção de novos materiais e maior isolamento acústico do motor.

Uma versão com 4 portas foi desenvolvida, mas o gosto popular da época não aprovou e logo foi retirada de produção. Além do Brasil, somente o México produziu o Brasília. Mas foi exportado para países como FilipinasNigéria, Venezuela, Bolívia, Chile e Portugal.

Uma versão movida a álcool também foi feita. Mas o fraquíssimo motor 130cc e o alto consumo decretaram sua morte precoce.

Sofrendo com a concorrência interna do Gol BX e nas vésperas do lançamento da Parati, em 1982 foi encerrada a produção do VW Brasília, com pouco mais de um milhão de unidades comercializadas.

Anos mais tarde um diretor da VW declarou, em entrevista a uma revista automobilística, que mantendo o Fusca em produção e não a Brasília, a VW havia “matado” o carro errado.

Será? Qual a sua opinião sobre o VW Brasília?

Leia Também Eu não acho que um professor deva ganhar bem - Parte II Empreendimentos sujeitos ao Licenciamento Ambiental O Fusca mais potente já fabricado pela VW A reforma política e a intervenção militar