As misérias, as violências e o comportamento

Postado por: Israel Kujawa

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A capacidade de identificar e interagir com as múltiplas concepções de ser humano e de sociedade influenciam nas inevitáveis intervenções dos indivíduos, dos grupos e das instituições, que acentuam ou diminuem a Dignidade Humana. As convicções teóricas sobre o comportamento devem estar apoiadas nos diferentes contextos de vida. Estas diferenças, no pensar e no agir sinalizam a singularidade de cada pessoa, mas não justificam os malefícios das desigualdades nas oportunidades para exercitar o humanismo. Nesta forma de conceber, o comportamento requer a coragem de não estimular ou pactuar com posturas egoístas e insensíveis, causadas pela miséria e pela violência.

Os cenários em que predominam situações de inexistência de condições materiais mínimas para existência de uma vida digna podem ser caracterizados como consequência de opções individuais ou de modelos que orientam a gestão da economia e da vida em nosso planeta. Vale registrar que as opções e o comportamento individual são influenciados pelo conjunto de circunstâncias de uma situação.  Deste modo, a opção de uma pessoa, acertada ou equivocada, por economizar ou consumir, por ingerir alimentos comprovadamente mais ou menos nutritivos e saudáveis, é opção subjetiva, interna, singular, mas influenciada por razões objetivas, externas e sociais.

Os grupos de indivíduos, ao construírem e ou gerenciarem instituições, passam a ocupar um espaço de intervenção, com graus de influência e de abrangência que possibilitam a manutenção ou alteração da condições gerais de uma situação social. Uma instituição pode ter um campo de abrangência limitado a um grupo de pessoas que partilham um teto, pode ter um espaço de abrangência municipal, regional, estadual, nacional ou internacional. O conjunto destas instituições possuem relações de influências e de dependências com duas maiores, que são o estado e o mercado.

Neste modo de interpretar a realidade, cabe identificar a parcela de responsabilidade, do conjunto dos protagonistas e construtores da mesma. Algumas realidades desagradáveis de miserabilidade e violência, são de responsabilidade de fenômenos naturais, como é o caso dos furações e dos terremotos. Outras podem ser caracterizadas como resultado da ganância humana, que utiliza indevidamente a própria inteligência, de forma egocêntrica, para ludibriar outros seres humanos. Em ambas as situações, as realidades indesejáveis de miséria e de violência devem ser resolvidas e administradas por duas forças pouco visíveis, pouco analisadas e responsabilizadas. Uma é pública e recebe o nome de estado e outra é não estatal ou privada e recebe o nome de mercado. Estas instituições são poderosíssimas e, apesar de serem abstratas, mantêm relações intimas entre si, são gerenciadas e comandas por pessoas concretas que devem ser identificadas e responsabilizadas.

 

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