Acidentes de trânsito: Da Perícia II

Postado por: Gilmar Teixeira Lopes

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Nos acidentes de trânsito devemos levar em consideração a violência do impacto, os danos, marcas deixadas na pista e as consequências advindas, pois esses são os fatores preponderantes para análise dos fatos. Frisa-se, que por princípios elementares de física, a velocidade é uma grandeza vetorial que se caracteriza por intensidade, direção e sentido e, como consequência, suas parcelas devem ser somadas vetorialmente. Portanto, quando na iminência de ocorrer um acidente o veículo deixa marcas de frenagens, e ainda produz danos de magnitude, por óbvio esses aspectos não podem ser desprezíveis.

Destaca-se, que a velocidade total, no início da frenagem, será a soma vetorial da distância de frenagem com mais aquela relativa aos danos.

Por outro lado, não se pode perder de vista que uma parte da energia cinética é dissipada pelo atrito (durante a frenagem ou derrapagem), e o restante (eis o principal.....) será convertido em trabalho mecânico, produzindo avarias generalizadas pelo veículo em face da violência..

Quando nos aprofundamos na pesquisa ao Direito Comparado, encontramos preciosas lições do eminente Prof. JORGE GAMARRA, em sua obra “Tratado de Derecho Civil Uruguayo - Da Responsabilidad Civil Extracontratractual - 4. Vol - Accidentes de tránsito - 2. edição - 1990 - pag.70, leciona:

 “La violencia del impacto y trascendencia de los desperfectos es uno de los elementos que sirven para inducir una velocidad inmoderada…(grifamos).            

Devemos mencionar, ainda, que o perito levará em consideração o princípio filosófico da causa proporcionada, segundo o qual todo efeito tem intensidade proporcional à causa que o determinou, isto é a velocidade excessiva e a violência do impacto já revelam as circunstâncias que se encontravam trafegando os veículos envolvidos no sinistro.  

Portanto, toda a situação fática traçada deve ser analisada de forma técnica e, quando posta ao lado da lógica e das regras da experiência, deve-se desprezar o inverossímil e o improvável, para colher-se o que se evidencia racional, coerente e compatível com as circunstâncias e a física.

 

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