Zé do Caixão – um ótimo projeto que não emplacou.

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Em 1968, durante o 6º Salão do Automóvel, em São Paulo, a VW apresentou um novo conceito. Era o VW-1600, resultado de dois anos de desenvolvimento e testes. Trazia o mesmo conjunto mecânico do Sedan 1300 (o Fusca), mas com um motor de 1600cc, freios a disco na dianteira e uma carroceria totalmente nova.  Um sedan “três volumes” de formas retas, cantos arredondados, para até 5 ocupantes e com 4 portas.

Logo no início da comercialização o público o batizou de “Fusca 4 portas”, mas rapidamente passou a ser chamado de Zé do Caixão. Talvez pela semelhança com uma urna funerária ou também em alusão ao personagem dos filmes de terror, o caso é que o apelido “pegou” e, dizem, até contribuiu para o parco sucesso do modelo.

O projeto como um todo era muito bom, tendo sido baseado no protótipo EA 97 da matriz alemã, utilizando uma mecância robusta e confiável, um motor de bom desempenho e uma carroceria de design 100% brasileiro. Entregava mais desempenho, conforto, maior espaço interno e para carga e ainda era mais requintado que o Fusca, principalmente quanto ao nível de acabamento. Contudo, seu preço era mais salgado e, acredite, quarto portas era considerado um ponto negativo nos anos 70. Além disso, Opala e Corcel chegaram ao mesmo tempo para dividir o mercado.  Logo em seguida chegaram também o VW Variant e TL, derivados e concorrentes diretos do VW-1600, mas que seguiam a tendência dos modelos europeus em questão de design, ajudando ainda mais na queda das vendas do Zé do Caixão.

Foi bastante utilizado como táxi, pois reunia as características desejadas para um carro de uso severo com algum conforto e a praticidade das duas portas a mais para o embarque e desembarque de passageiros.

Além do modelo tradicional, em 1969 a VW produziu também o VW-1600-L, versão “Luxo” que trazia de fábrica o teto pintado de preto, frisos metálicos nas laterais da carroceria, bandas brancas nos pneus e um interior com couro nos bancos e nos revestimento das portas, rádio e relógio de horas no painel. Desta versão é praticamente impossível encontrar um exemplar em condições originais, sendo um modelo considerado raríssimo.

Em 1971 recebeu algumas alterações na aparência, aproximando-se do design da Variant e da TL – saíram os 2 faróis retangulares e entraram 4 redondos, novos parachoques mais finos com batentes de borracha e novos capôs dianteiro e traseiro. Mesmo assim, as vendas não reagiram e apenas 6.496 unidades do VW-1600 foram produzidos naquele ano. Sua produção foi encerrada em fevereiro de 1971, após 24.475 unidades terem saído da linha de montagem.

Ainda hoje chama a atenção e surpreende pelo requinte e cuidado dos acabamentos, espaço e conforto interno. O baixo nível de ruído interno também é motivo de destaque, principalmente se comparado aos próprios irmãos da linha refrigerados a ar. Enfim, foi um grande VW, mas incompreendido em seu tempo.

Nas fotos, o VW-1600 bege, ano 1969, placa preta, propriedade de Guilherme Paixão, sócio do Passo Fundo Fusca Clube.

Se você conhece um “Zé do Caixão” ou tem alguma história com ele, conte para a gente aqui nos comentários. Críticas e sugestões também são bem vindas. Grande abraço e até a próxima semana.

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