A inutilidade do Daer e a falta de presídios

Postado por: Dilerman Zanchet

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Tenho sido crítico, neste espaço, dos diversos órgãos estatais inúteis que temos no Rio Grande do Sul. Por certo que não é só aqui, mas, como o índio da aldeia é sempre o mais flechado, vou me ater somente ao Estado.

Dentre os inúmeros e inúteis departamentos e órgãos que, há tempos não dizem para que existam, está a Cesa, o Daer, a Corag e outras. Se forem vasculhar custos e receitas, até a estatal que fornece sistema de internet pode ser vendida ou fechada.

Porém, para que isso aconteça, precisamos de coragem. E esta coragem, para fechar estes órgãos, com ajustamento do quadro de funcionários, venda dos imóveis ou substituição pelos em que há a necessidade e hoje são alugados, o atual governador não tem.

Explico: Falta coragem, peito, culhão para que um governador de Estado crie um projeto e sustente, com a maioria na Assembleia Legislativa, sua aprovação. No caso, a extinção de estatais e departamentos que só dão prejuízo ao erário e ao povo gaúcho.

O Daer, pasmem, tem uma estrutura que consome por dia algo em torno de meio milhão de reais. Isso mesmo: R$ 575 mil reais por dia é o custo deste monstro, que tem em torno de 1.250 funcionários. Destes, metade apta a se aposentarem. Porém, ganham incentivos de permanência, mantidos que são por saberem operar máquinas obsoletas da estatal, que não servem para tapar um buraco em rodovia.

Querem mais?

Então vai lá: Levantamento da Rádio Gaúcha aponta que, somente neste ano, a autarquia gastou quase 30 mil mensais com auxílio funeral. Por mês!!!

O diretor geral tem para receber, em “diferenças salariais”, mais de 630 mil. E por aí vai: 947 imóveis em todo o estado, incluindo casas de veraneio no litoral, gastam 140 mil mensais de energia elétrica e quase 55 mil em água. São mansões, como a sede da capatazia de Bento Gonçalves, na serra, que poderia ser vendida facilmente por 2,5 milhões.

O Estado quebrado, triturado pelas despesas, e uma autarquia gastando meio milhão por dia para fazer nada. Absolutamente nada. Ou exagerando, 10 pessoas competentes não fariam licitações e fiscalizariam empresas terceirizadas para tapar alguns buracos nas RSs do Estado?

Dá para aguentar?

Onde estão os deputados da “moralidade” que nada fazem?

Assim, enquanto se joga dinheiro pelo ralo, como este departamento inútil, a polícia não tem mais onde colocar presos.

Pasmem: A Brigada Militar e a Polícia Civil não têm, em Porto Alegre, onde colocar pessoas presas. Então, a solução é ir estacionando as viaturas, chamadas ainda de “pata chocas”, com os detidos dentro da gaiola. Sim, pois aquilo é uma gaiola. Não levo presidiário livre. Raramente, muito raramente, há uma injustiça nisso tudo. No entanto, manter uma pessoa por 40, 50 horas numa gaiola é absolutamente revoltante.

Principalmente se soubermos, por exemplo, que as facções fazem dos presídios gaúchos e brasileiros seus quartéis generais. Mandam, desmandam, acolhem, mandam matar e mandam soltar. E o Estado (neste caso o Estado brasileiro) é tão ou mais ineficiente que a estrutura que existe.

Os Estados Unidos e outros países, principalmente da Europa, dão exemplo de como administrar as prisões, fazendo com que os apenados trabalhem para pagar sua “hospedagem”. Os custos são reduzidos, as cadeias são relativamente boas para quem está preso e há, sempre, uma nova casa de detenção sendo construída.

Aqui no Brasil, no Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, o agente penitenciário é proibido de entrar no corredor das galerias. Se o fizer, morre. Até a porta eles vão. Dali para frente, só com autorização do chefe da gang. E isso vem de tempos.

E querem impedir a entrada de celulares e drogas nos presídios! Como, se onde cabem 300, tem 700?

Enfim, enquanto tivermos DAERs consumindo milhões dos cofres como se fosse uma vertente do dinheiro público, não teremos presídios, salas prisionais e muito menos uma casa de detenção que sirva de modelo a toda a terra.

E vamos continuar gastando nosso dinheiro em impostos, para que 1.250 privilegiados continuem mamando nas tetas gordas do cofre estadual. 

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