Cremar ou sepultar

Postado por: Neuro Zambam

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O enterro dos mortos sempre foi um tema controverso dependendo da cultura de cada povo e das mudanças que ocorrem no interior das sociedades nos diferentes períodos. A Igreja Católica acaba de publicar um documento com orientações sobre o tema.

Onde colocar o corpo, as cinzas ou os restos mortais de nossos entes queridos tornou-se uma preocupação de administradores públicos, das famílias, das religiões e outros responsáveis nas últimas décadas por causa do aumento da população urbana. Atualmente a quase totalidade da população mora nas cidades.

O exemplo do município de Passo Fundo serve como referência para entendermos como as pessoas organizaram sua convivência, relações de trabalho, constituição das famílias e outras áreas da sua existência. Aqui, a maioria das pessoas mora na cidade.

Os países que até pouco tempo contavam com sua população majoritariamente residindo no interior veem rapidamente essa mudança ocorrendo a passos largos. Por exemplo, China e Índia. No Brasil vimos isso nas décadas de 1980 e 90.

As necessidades se sobrepõem a essa nova forma de organização. Os cemitérios nos centros das cidades, como é o caso de Passo Fundo, precisam passar por mudanças com certa urgência. Não se trata de esconder os mortos ou jogá-los para longe, mas de termos um tratamento que envolva dignidade aos corpos, cuidado com o meio ambiente, preocupação com a limpeza, atenção com os córregos e sangas, assim como, com a boa organização do ambiente (relações com os vizinhos, segurança, etc.).

A opção pela cremação dos corpos, antes restrita a Índia e outros países daquela região que queima os corpos dos mortos desde há muito tempo. Naquela região é uma necessidade por causa da superpopulação. Percebamos que a necessidade gera hábitos e costumes.

A avaliação ou análise desse tema precisa ser prudente, claro e de orientação para não gerar pânico e preocupações sem necessidade.

A cremação dos corpos é uma boa opção considerando as motivações acima e outras que poderiam ser elencadas com a mesma intenção.

De tudo isso e, sabendo do hábito ainda majoritário de enterrar os corpos nos cemitérios, é preciso resguardar o necessário respeito às tradições e, principalmente, ao corpo que, embora morto, representa a vida e a história de uma pessoa que foi amada, querida e importante para o seu círculo de relações.

Outros hábitos precisam ser corrigidos para não banalizar a morte, o enterro, os corpos e as tradições. Enterrar ou cremar os corpos é uma opção da família ou da pessoa que precisa manifestar esse desejo. O fim da vida é o retrato de um período que está encerrado para o corpo, logo, este não deve ser guardado em casa, por exemplo. As cinzas, quando o corpo é cremado, precisam de um destino digno.

Quem não valoriza seus antepassados ou não cuida do local onde são guardados os corpos, carece de sensibilidade e valorização da sua história, da família e da comunidade.

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