Banalidades

Postado por: Neuro Zambam

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O assunto que envolve temas sem relevância ou que assim passam a ser depois de um tempo atinge inúmeras áreas das relações humanas e das estruturas sociais. Hannah Arent foi quem melhor falou sobre o assunto no último período ao demonstrar, entre outras facetas, que o sucesso do nazismo ocorreu porque as pessoas se acostumaram com o mal, ver o sofrimento do outro e torcer para que muitos fossem eliminados da convivência normal por motivos diversos e, aos olhos de hoje sem importância ou que mostrassem perigo real, especialmente, classificando-os como “coisas” ou “cidadãos” de segunda, terceira ou quarta categoria.

O torturador é formado dessa forma. Os pequenos gestos de agressão, normalmente a animais de tamanho micro, indefesos ou que incomodam, para depois, paulatinamente, as agressões se somarem e progridem, até atingir pessoas – dos inimigos às mais próximas – e ver no sofrimento algo banal, modo de expurgar, vingança, necessidade e outras desse nível.

Na vida política também é assim. A corrupção que arrasta o Brasil a rumos inimagináveis começa nas pequenas coisas. Por exemplo, na negação do troco mal contado, no negócio com vantagens fruto da mentira ou da esperteza indevida que faz do ator o seu herói, da conta não paga pelo esquecimento fingido, entre outros.

Um líder começa ser construído nas pequenas relações e atitudes que o destacam em relação aos demais. Portanto, quem está lá, antes aqui esteve. Quando um igual se destaca, jamais deveria esquecer o local da sua origem e, especialmente, o aprendizado que motivou o seu sucesso.

No Brasil o costume, as pequenas coisas, a moralidade e o comportamento respeitoso e honesto parecem cada vez mais distante quando olhado pelo exemplo de cima. A banalidade do mal, aqui, tem outro sentido, é a vergonha da honestidade, da boa administração, do respeito pela família, do agradecimento, de ajuda gratuita, do reconhecimento da capacidade do outro, entre outras.

Para concluir, o instituto da Delação Premiada que tem ajudado inúmeras ações de investigação pelo mundo afora a fim de fazer justiça ou corrigir graves comportamentos e distorções está sendo reduzida à banalidade da honestidade, meio de justificar ações deploráveis e delas se livrar sem a devida correção dos erros e a mudança de atitudes e posturas políticas, dos de cima e daqueles que continuam normais, ou seja, sem projeção pública, mas com a missão de educar as futuras gerações.

A necessidade de saber, analisar e compreender os males que envergonham a humanidade tem a mesma relevância de perceber aquelas ações que, mesmo repercussão, podem mudar substancialmente o presente e o futuro de uma pessoa e de um grupo social.

Temer os aplausos, não acostumar-se a eles e evitar o coro pode prevenir as banalidades do futuro.

 

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