Variant – um grande VW

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Nos anos 60 o Brasil era um país em franco desenvolvimento, mas extremamente carente no quesito transportes e estradas. Além disso, as famílias eram mais numerosas que hoje em dia e, por isso, carros maiores eram mais desejados. Contudo, a grande maioria do povo não dispunha de muitos recursos e então priorizava a durabilidade, versatilidade e confiabilidade em detrimento ao luxo, conforto e beleza na hora de adquirir o carro da família. E nisso a VW do Brasil era expert. Foi assim com a perua VW Variant 1600, lançada em 1969.

O motor, refrigerado a ar como todos da linha VW da época, foi o primeiro com dupla carburação de fábrica. Era um 1600 cc que rendia 54 cv, mas que se diferenciava do motor do Fusca por causa da construção plana em que a turbina era fixada ao virabrequim e deixava baixa a altura do motor completo, dando ao carro a possibilidade de carga de 640 litros em seus dois porta malas. Também acomodava, com algum conforto, cinco ocupantes adultos.

O interior era tão espartano quanto toda a linha VW, sem nenhum luxo ou mesmo qualquer acessório, além de uma capa plástica imitando madeira no painel.

Inicialmente com um design que copiava o VW 1600, em 1971 a frente da Variant passou a contar com quatro faróis e capô inclinado, sendo apelidada de "cabeça de bagre" pela semelhança com o peixe.

Em dezembro de 1976 já haviam sido montadas 250 mil Variant´s e a VW adicionou algumas melhoras de segurança, emprestadas do Brasília. Mas suas linhas defasadas já pediam aposentadoria e a Ford Belina ganhava terreno na preferência dos consumidores, forçando o término de sua fabricação.

Um ano mais tarde, ainda apostando no nicho de mercado das peruas, a VW do Brasil desenvolveu um projeto único, mesmo contra a orientação da matriz alemã: a VW Variant II, que foi lançada em dezembro de 1977. Chamada de “Variantão”, era na verdade um "Brasilhão", pois as linhas eram inspiradas no Brasília. A grande área envidraçada dava uma boa visibilidade. Era maior, mais potente e mais avançada mecanicamente que sua antecessora, mas mesmo assim não teve o mesmo sucesso, pois disputava espaço com a Brasília e também com a Ford Belina e a Chevrolet Caravan.

A principal diferença da Variant II para todo restante da linha VW refrigerada a ar era a suspensão dianteira McPherson com molas helicoidais, bem superior à de braços arrastados duplos e lâminas de torção do Fusca. Na traseira contava com braços semi-arrastados, também mais eficientes.

Por dentro, adotava os mesmo bancos do Passat TS e um novo painel, com muitos instrumentos, quadrados, que mais tarde equipou o VW Gol. O tratamento antirruído foi melhorado, o motor (o mesmo do Brasília) foi incrementado com um novo comando e escamento duplo e o carro era muito confortável e de bom desempenho. Mesmo assim, foi produzida somente até 1980, pois problemas de qualidade e os planos de lançamento da VW Parati sepultaram o projeto.

Nas fotos que ilustram essa matéria, temos a Variant amarela 1973, propriedade de Anselmo de Quadros Pires e a Variant II marrom 1979 de Vilson Mafessoni, sócios do Passo Fundo Fusca Clube.

 

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