Muitas histórias para contar

Postado por: José Ernani Almeida

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A Trigésima Feira do Livro de Passo Fundo está acontecendo no Shopping Bourbon com o tema “Muitas Histórias para Contar”. Aliás, muito oportuno, numa época em que alguns segmentos entendem que o passado deve ser ensinado pelo passado – não para iluminar o mundo em que vivemos. Sem dúvida, são “muitas as histórias para contar”.

Histórias que permitam a reflexão e a discussão de valores, posições éticas e atitudes políticas. Histórias que tratem do preconceito, do racismo e da intolerância, enfim, que construam uma visão humanista e crítica.

A feira nos oportuniza conviver intensamente com o livro, com a leitura e com seus autores. Estes nos permitem conhecer melhor o mundo. Nos transportam para outros tempos, outros lugares, outras culturas.

Nos levam a sonhar e a pensar. A leitura regular de livros é fundamental em qualquer fase da vida. E tem mais. Cada leitor dá ao que está lendo um tratamento todo pessoal, único. Sentirá, ou não, um efeito diferente diante dos personagens, das narrativas e das muitas histórias apresentadas. Muitas delas exigirão mais do leitor: algumas meramente descritivas, outras marcadas pela sensibilidade às nuances da linguagem, situações ambíguas e personagens complexos.

Toda a leitura, em qualquer época, é uma viagem sem fim, que permanecerá na memória por toda a vida. O livro, esta invenção que surgiu na China no ano de  868, nunca mais deixou de ser fundamental na vida das pessoas. É aquilo que podemos chamar de uma invenção tecnologicamente perfeita.

Não por acaso, atravessou séculos, como o mais simples e prático instrumento para o registro e a transmissão de ideias. Hoje, quando vivemos a era da alta tecnologia, onde o mundo é movido por informações tecnicamente prontas, o livro é o grito contra a globalização padronizante que leva ao uso cada vez mais limitado da imaginação. 

Hoje, a alta tecnologia, faz com que o trabalho de pensar, de criar, seja transferido para outros instrumentos, como a internet. A maioria, infelizmente, prefere a limitação da massificação daquilo que encontra pronto. É bem verdade que os avanços de hoje, são fruto dos conhecimentos desenvolvidos pelos havidos leitores do passado.

São o fruto dos imaginativos leitores que se escondiam e, ainda se escondem, atrás das páginas que incentivaram e incentivam o criar, o pensar, o mudar.

As “muitas histórias” que os livros nos trazem precisam ser lidas e não censuradas.

Quando se fala em limitar, patrulhar o trabalho de um professor em sala de aula, o que se busca, na verdade, é que apenas “uma história” seja alvo da narrativa. Nada pode ser mais anacrônico e reacionário. As “histórias” devem ter seu espaço garantido nas Feiras do Livro e nas salas de aula. Como disse Francis Bacon: “Leia não para contradizer nem para acreditar, mas para ponderar e considerar. Alguns livros são para serem degustados, outros para serem engolidos, e alguns poucos para serem mastigados e digeridos. A leitura torna o homem completo, as preleções dão a ele prontidão, e a escrita torna-o exato”.

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