A constituição psíquica do jovem em conflito com a lei

Postado por: Israel Kujawa

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O tema da segurança está entre os que geram grandes preocupações, dificuldades e transtornos na vida das pessoas. Um cenário com redução da maioridade penal, aumento do efetivo policial e construção de novos presídios, que se apresentam como soluções aparentemente simples, não irá reduzir as consequências negativas da insegurança. A solução ou a administração de um problema deve partir da análise adequada do mesmo. Neste sentido, se faz necessário incluir um entendimento amplo e aprofundado do problema, explicitando as relações entre o comportamento gerador de insegurança e constituição psíquica do jovem em conflito com a lei.

Vivemos em uma época em que o fenômeno da infantilização está sendo acentuado. Não se trata da dimensão positiva da criança que deve ser alimentada inclusive nos adultos. Trata-se da fragilidade na noção de responsabilidade individual e coletiva, que deveria estar bem constituída e predominar no comportamento dos adultos. Ao se comportar, como criança, sem a noção clara de responsabilidade, os adultos deixam de fazer as transferências indispensáveis para que as crianças se desenvolvam adequadamente e se tornem jovens responsáveis e capacitados para a vida social.

Sigmund Freud (1856-1939) tratou da constituição de complexo aparelho psíquico, com destaque para uma dimensão importante para o convívio coletivo, que ele nominou de superego. Trata-se de uma instância responsável pela internalização da autoridade exercida pelo pai real ou por um substituto que exerça a função de representação da lei. Este aparelho psíquico é organizado e constituído por diversos fatores, sendo que um dos principais é a relação da criança com os outros seres humanos, a partir das primeiras convivências com os pais.

O ser humano, na origem da sua história individual, é dependente da disponibilidade dos adultos, que se apresentam como referências responsáveis pela auto preservação e por impedir comportamentos que representem ameaças para a integridade dos outros. O desenvolvimento saudável, com o amadurecimento psíquico se relaciona com a integração responsável dos jovens, sob os cuidados e responsabilidades dos adultos. Em casos nos quais essas experiências não são adequadamente constituídas, permanecerá a tendência da repetição dos padrões primitivos de comportamento, sem recursos psíquicos para internalizar uma lei e exercitar o adequado convívio social.

 

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