A construção da segurança a partir das relações entre adultos e crianças

Postado por: Israel Kujawa

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O destaque e os espaços destinados para cenas que representam situações de violências (físicas e psicológicas) desumanizam as relações e aumentam a insegurança social. A normatização pedagógica e jurídica que condena a prática da violência dos adultos para com as crianças pode ser entendida como um critério relevante para o aperfeiçoamento da segurança. No entanto, visualizamos o aumento crescente de crianças, sendo instrumentalizadas para o aumento do consumo e para a prática da violência contra os adultos e contra a sociedade. A melhora efetiva da segurança passa pela ênfase em referências sólidas para comportamento, focando as dimensões humanas em detrimento do consumo exagerado, do qual as crianças são as primeiras vítimas.

O aumento ilimitado e prioritário das necessidades materiais invade os espaços do afeto e do vínculo humano. A busca do reconhecimento focado no acúmulo de objetos materiais implica no desprestigio e na minimização do ser humano. Os pais desempenham um papel fundamental na construção da autoestima dos filhos. Mesmo que a criança receba cuidados de boa qualidade e passe por experiências sociais positivas, na pré-adolescência e no início da adolescência, é frequente um certo desconforto em relação a si mesma e a sociedade.

O comportamento dos adultos é uma das bases importantes para a inserção segura do adolescente na sociedade, podendo favorecer ou dificultar na consolidação de uma estrutura psíquica direcionada para o egoísmo violento ou para a cooperação solidária. Neste sentido, um aspecto central é a construção adequada da autoestima e do reconhecimento. Trata-se da auto percepção do valor que uma pessoa tem em relação ao contexto material e aos outros seres humanos. Quem possui um alto grau segurança em relação ao atendimento de suas necessidades acredita nas próprias iniciativas e atua pacificamente na sociedade.

A instrumentalização das crianças para o crescimento ilimitado da necessidade subjetivas de adquirir objetos materiais é geradora de níveis prejudiciais de insatisfação e insegurança.  A inexistência, flexibilização ou substituição frequente das referências sólidas de comportamento e de moralidade podem ser entendidos com um indicativo de novos comportamentos desregrados, inadequados, instáveis, geradores de violência e insegurança. A legitimidade, a consistência e a consolidação de autoridades exemplificadas nas figuras próximas como os pais, professores, líderes religiosos e policiais, bem como em figuras com ampla legitimidade social (atores, cantores e líderes em geral) é um indicativo para a construção da segurança social e individual.

 


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