O pacote do descompromisso

Postado por: Juliano Roso

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O pacote anunciado pelo governo Sartori coloca em xeque o papel do Estado como indutor do desenvolvimento local. Depois do aumento do ICMS, da concessão de estradas por 30 anos, e da precarização dos serviços públicos, o governo estadual lança mão de uma prática iniciada em 1995 pelo então governador do PMDB Antonio Britto.

A política do Estado mínimo, inspirada no governo da primeira ministra britânica Margaret Tatcher (citada por Sartori durante lançamento do pacote), penaliza aqueles que mais precisam do Estado: os mais pobres. Esses governos apostam na privatização e na precarização dos contratos de trabalho para vencer a crise. Mas todo esse arrocho festejado por parcela da sociedade, que não utiliza a saúde e a educação pública, já foi colocado em prática em outros momentos.

Além de Britto, a ex-governadora Yeda Crusius trilhou o mesmo caminho. Mas como vemos, a venda de estatais e o encolhimento do Estado não surtiram efeito. Agora, Sartori quer extinguir nove fundações. Entre elas, a Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec) e a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), órgãos fundamentais para a produção científica gaúcha. A ciência, tão valorizada nos países desenvolvidos, é vista como gasto em nosso Rio Grande. Mas a entrega não se dá somente na área de pesquisa. Setores estratégicos da economia também são alvo de cobiça do setor empresarial.

A Companhia Riograndense de Mineração (CRM), a Sulgás e a CEEE estão na mira do governo. A incapacidade de gestão nesses casos torna mais fácil repassá-la para entes privados. O pacote propõe também a extinção da Corag, empresa superavitária. Mas incoerentemente mantém o Tribunal de Justiça Militar a um custo de R$ 40 milhões anuais. O boato de que Sartori não tinha projeto, mas apenas concluiria algo iniciado na década de 1990, se concretiza. A entrega do Estado e a precarização do serviço público é a saída encontrada para vencer o adverso. Tempos difíceis para o nosso Rio Grande.

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