O dever de decidir

Postado por: Neuro Zambam

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O exercício do poder é uma atividade simultaneamente simbólica e real. A pessoa que está revestida de uma responsabilidade, também responde por ela e precisa tomar atitudes que lhe dão satisfação, outras vezes a contragosto, por pressões externas de grupos e instituições e, finalmente, porque é necessário que seja assim porque o momento exige e o contexto impulsiona para que seja assim e, se não for, as consequências serão muito piores.

Quem decide acerta e erra constantemente. Quem coordena e tem responsabilidade e confiança em si e naqueles que lidera, prefere ver as pessoas tomando posições e errar, a conviver com colaboradores que não decidem, não se posicionam e sequer tem coragem e capacidade de rumar para determinada posição como propósito de acerta e, assim, arriscar uma margem de crescimento.

O governador Sartori tomou decisões importantes nesta semana a anunciar um conjunto de medidas para a recuperação financeira do Estado gaúcho e visando os próximos 20 anos, pelo menos. Antes disso, sobre esse tema, parece ter feito um jogo de quem não sabia, de quem não queria tomar posição, por prudência, por estratégia eleitoral, ou outros motivos.

As decisões necessárias precisam ser tomadas com responsabilidade, sem rancor, e em vista de objetivos de longo prazo. No Brasil e em muitos países com pouca responsabilidade, os governantes ou líderes pensam na próxima vantagem ou no prazo visível logo ali.

A consagrada expressão das democracias mais evoluídas diz: “o governante pensa na próxima eleição, o estadista na próxima geração”. O governador, dada à dramática situação do Estado e pelo que se está a conhecer das medidas, penso num prazo médio e na próxima eleição. Caso estiver certo, o impacto será breve e a lembrança de suas decisões serão pouco ou nada marcantes.

Do contrário, se junto com estas vierem outras de longo alcance construídas com o conjunto da sociedade, os seus representantes e demais instituições, a pessoa, as ações e o governo serão marcados por gerações.

A tradição do Brasil não é essa. O governador tem um estilo comedido e demorado. Não é bom. A gravidade da situação exige capacidade de decisão e tomada de iniciativas. A vida ensina isso quando se tem pouco a decidir e se tem maiores responsabilidades. Quem se preparou por tanto tempo para esse cargo precisa ser ágil.

Agora, a fala mansa a fama de bom moço e o homem honesto, precisam se transformar em capacidade de negociação, tomada de iniciativas e enfrentamento de adversidades. O segundo período de um governo sem expressão poderá ser de amplos conflitos, debates e decisões assertivas. Ou de fala mansa e pouca repercussão.

Sendo a honestidade uma prerrogativa de um homem público, no solo gaúcho ela é insuficiente, deve vir acompanhada pela bravura que corre no sangue dos gaúchos.

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