VW Kombi – A história da “velha senhora” – parte 1

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Quem nunca torceu o pescoço para olhar uma kombi passando? Seja pela forma pouco comum para um automóvel ou mesmo pelo tamanho, ou pelas cores e até pelo estado de conservação, nenhuma Kombi passa despercebida aos olhos de quem curte carros.

Da mesma forma que ocorre com o Fusca, é praticamente impossível conversar com alguém sobre carros sem que venha à tona alguma história a bordo de uma Kombi. Pode ter sido a van escolar, o furgão que levava a produção da lavoura, a ambulância, a companheira das férias com a família, o ganha-pão do dia-a-dia, carro de polícia, chaveiro 24 horas, carro de fretes, taxi, moradia, objeto de coleção. Tudo cabe numa Kombi, dizia uma antiga propaganda. Se o Fusca foi o carro do povo, a Kombi foi o carro do trabalhador.

Sua história iniciou bem longe daqui e a muito tempo. Em 1940, um holandês dono de concessionária de veículos esteve em Wolfsburg, na fábrica da VW, para tratar da importação dos Fuscas para a Holanda. Na fábrica, Ben Pon, o holandês, notou um veículo que era utilizado para transportar as peças de um lado para outro – o Plattenwagen. Era uma solução “caseira” da VW, uma plataforma de transporte de carga com chassi tubular e mecânica de Fusca, com a cabine montada na traseira, sobre o motor. Pon até tentou importar os Plattenwagem do jeito que eram para a Holanda, mas o departamento de trânsito negou a autorização para a circulação em vias públicas. Então Ben Pon fez alguns rabiscos em sua agenda, inspirado pelo Plattenwagen, que deram origem a Kombi.

As linhas retas dos primeiros protótipos tinham uma aerodinâmica horrível. Além disso, a montagem sobre o chassi do Fusca demonstrou que o carro não seria resistente o suficiente para o propósito de carga. Assim, após alguns anos de estudo e novos protótipos, uma forma mais arredondada foi dada à carroceria e optou-se por uma estrutura monobloco em vez do chassi do Fusca. Esses fatores, aliados a robusta e confiável mecânica VW, deram origem ao utilitário mais famoso do mundo. Em outubro de 1949 foi apresentada para a imprensa e rodou pelas ruas pela primeira vez em 08 de março de 1950.

O sucesso foi imediato, pois o mundo dos transportes ansiava por veículos utilitários no pós Guerra. A produção inicial de 60 unidades por dia não atendia nem de perto os pedidos e a fila de espera por uma Kombi podia demorar até um ano. Nos cinco primeiros anos de produção a VW produziu mais de 90 tipos diferentes de carrocerias para a Kombi: micro-ônibus, picapes, furgões, carro de bombeiros, ambulância, transportador de cerveja, transportador de leite, de pães, açougue móvel, utilitário para camping, sorveteria, safari, com teto solar, 21 ou 23 janelas, enfim, praticamente uma produção ao gosto do freguês.

Saía de fábrica com elétrica de 6 volts, caixa de 4 marchas não sincronizadas à frente e uma à ré, complementada por caixas de redução em cada cubo traseiro, como no Kubelwagen. Embora partilhasse o mesmo pequeno motor boxer arrefecido a ar de 1.131cm³ e 25cv do Fusca, o conjunto conferia bom torque e tração, que eram o objetivo.

Internamente era chamada de Tipo 2, já que o Fusca era o Tipo 1. No seu lançamento foi batizada de Transporter, mas o nome que pegou mesmo foi Kombi, flexão de “Kombinationsfahrzeug (quem pronunciar corretamente de primeira, sem gaguejar, ganha um prêmio) que quer dizer veículo combinado ou veículo multi-uso, em tradução livre.

Não demorou muito para que o sucesso fosse mundial e que o Brasil, onde a VW mantinha a única fábrica fora da Alemanha, também passasse a produzir a Kombi. Mas isso já é assunto para a semana que vem.

Grande Abraço!

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