O gaúcho, o Rio Grande e o pacote do Sartori

Postado por: Dilerman Zanchet

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“Quem sabe os gaúchos, os homens do sul, da serra ou missões

Um dia por certo vão cantar para todos e falarem daqui...

Quem sabe a campanha, a fronteira do pampa aqui do garrão

Um dia por certo vai "guentar" o tirão e vai pensar mais em si...” (José Cláudio Machado - Compositores: Gujo Teixeira E Mauro Moraes).

Quem sabe, daqui há uns 20, 30 anos, o povo gaúcho compreenda a atitude do atual governo, que joga pesado com a máquina administrativa para viabilizar o bolso. No caso, o cofre. Ocorre que o cofre esvaziou. Embora entenda que poderá haver alguma injustiça, o mais prejudicado vai ser o povo, se alguma coisa não for feita.

Não, não tenho procuração para defender Sartori. E nem o faria.

Concordo, porém, com a grande maioria das ações que o Estado toma, para viabilizar as finanças. Algumas coisas poderiam ser feitas de forma diferente, é verdade, mas o grosso, a ação em si é de coragem. E se chamei aqui o governador Sartori de covarde, por não ter tomado esta atitude até então, agora curvo-me diante do fato.

É certo que ele não se elegerá mais para nada, após o mandato. A menos que o gaúcho mude literalmente seu jeito de ver e agir sobre a “coisa” pública. Esta é a forma de gestão que se precisa.

Não vão faltar oportunistas, as “viúvas” do nepotismo, do cabide de emprego, do “fazerconcursopraterestabilidade” contrários ao pacote. Já tem. E muitas.

São os tradicionais “terneiros’ que não querem ficar longe da teta, seja ela qual for. Mas reclamam da alíquota de impostos, mesmo sabedores de que, de algum lugar, o dinheiro tem que sair. Aliás, tem que entrar primeiro para sair depois.

Claro que, se tivéssemos outra forma, outro sistema de governo, o legislativo e o judiciário seriam chamados a participar, de forma direta, reduzindo suas inúmeras mordomias e adequando-as a um Estado competente, enxuto, que realmente sirva ao cidadão, e não ao contrário como hoje acontece, quando temos que sustentar uma máquina emperrada, enferrujada e inoperante.

Faltou extinguir, vender, tirar das costas o peso do DAER, por exemplo. É um órgão falido, inútil e que consome mais de meio milhão de reais por mês, sem finalidades específicas, exceto a terceirização de serviços. Que seja transformado em uma diretoria na Secretaria de Transportes, ou algo que não necessite de mais que 5, dez funcionários. Porque a Polícia Rodoviária pode receber, como atribuição, a fiscalização do transporte coletivo nas rodovias. Hoje esta é uma das principais atribuições do órgão.

E vender seu patrimônio, como a grande quantidade de imóveis, que só servem para a benesse de alguns funcionários.

Mas, também, não vejo motivo nenhum para manter (e não mais será mantida) a TVE, com uma estrutura que não serve para a grande maioria dos gaúchos. Comunicação é para a iniciativa privada.

Podemos ir além. E muito além. Aquele tal de IGTF é, sabidamente, um instituto que não serve para nada. Opa, errei. O café que serviam por lá, antigamente, era bem bom. Visitei por várias vezes, tentando aprovar um projeto cultural para escolas que se envolvessem com o tradicionalismo. Além do café, tomei um “chá de banco” do então diretor, ou coisa que o valha.

Ouvi, meses depois, de um assessor direto da figura, que o projeto só não foi aprovado porque não tinha sido ele quem criou.

E sem esquecer que este mesmo instituto, ou seus responsáveis, foi contrário à realização de um dos maiores eventos tradicionalistas de Porto Alegre, o Acampamento Farroupilha. E outros tantos.

Ainda tem um detalhe importante, que lembrei: Há uns seis ou sete anos, um campo experimental de soja de um órgão estatal foi destruído pelo MST, aqui na região. Em nome das mulheres “trabalhadoras” do movimento. Em seguida, um outro experimento, também da mesma fundação, com plantação de eucaliptos: mais uma invasão com destruição total.

Quem apoiou, gritou na tribuna, elogiou pelas colunas de jornais, tais atitudes, proferindo absurdos, são os mesmos que hoje não querem a extinção dos órgãos.

De novo, pimenta nos dos outros é colírio.

Por fim, as medidas que Sartori toma, agora, serão exemplo para o país, que quer o fim do corporativismo e do empreguismo.

E encerro com mais um verso de Tapeando o Sombrero, que sintetiza a força do sangue gaúcho em suas veias:

“Quem sabe o Rio Grande ensine a todos a força de um povo

Que canta sua terra, que luta e trabalha e a conhece de cor.

Quem sabe o gaúcho vai mostrar sua cara e por brasileiro

Tapeando o sombreiro, lhe olhem de perto e lhe vejam melhor!”

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