Ao povo, sacrifício. Aos amigos, vista para o mar

Postado por: Juliano Roso

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O caso que culminou com o pedido de demissão do ministro Geddel Vieira Lima, nesta sexta-feira, é simbólico e ironicamente representa o caráter do governo de Michel Temer. Geddel, já citado em delações de empreiteiras por recebimentos de valores de natureza duvidosa, era o braço direito do peemedebista. O caso começou após o ex-ministro usar do cargo para conseguir a liberação para a construção de um prédio de 23 andares em uma área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico e Natural (Iphan), no litoral de Salvador. Curiosamente, Geddel era o proprietário do mais alto apartamento do condomínio de luxo, no 23º andar, com uma bela vista para a Baía de Todos os Santos.

O ex-ministro Marcelo Calero, que fez a denúncia, disse em depoimento que também foi pressionado por outros ministros do governo, além do próprio presidente Temer, para burlar a lei e aprovar a edificação para Geddel. O que chama atenção nesse caso é o posicionamento do presidente, que com o apoio da mídia pede sacrifício do povo com medidas de precarização dos serviços públicos e de perda de direitos trabalhistas. Mas para os amigos, no caso Geddel, Temer não titubeou em usar de seu cargo para “reforçar” a necessidade de seu ministro ter direito a um apartamento de frente para o mar em uma área onde essa construção não pode existir por questões legais.

Enquanto o interesse privado se sobrepõe ao público na sala principal da República, o Brasil torna-se refém de um grupo político com práticas conhecidamente questionáveis e imorais. Enquanto isso no Congresso Nacional parlamentares que bradaram pelo impeachment da presidenta Dilma ensaiam a aprovação da anistia ao Caixa 2. Como disse Tom Jobim: “O Brasil não é para principiantes”.

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