O Brasil que não merece perdão

Postado por: Neuro Zambam

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Quando veio à tona o mensalão, com seus méritos, mas especialmente dois deles, o primeiro escancarar a forma como se faz política no Brasil pela “quase” totalidade dos políticos e, segundo, desencantar os eleitores dos partidos liderados pelo PT que apregoaram a ética na política, mas que na hora certa se encantaram pela “picada da mosca azul”, boa parte da população pensou que um novo ciclo de mudanças estava sendo inaugurado. O país tornava público a sua face mais perversa e começava um esforço de correção, agora liderada pelo judiciário bem engajado.

O tempo passou e muito foi feito, é verdade, mas as decepções estão sendo maiores. Entretanto, o cotidiano da vida pública e o hábito da vida privada venceram o pequeno esforço, mas pequeno, de transformar um grande país em uma grande nação.

Há algumas semanas, uma coluna de grande impacto disse que o país estava mudando porque os políticos mais influentes e os empresários mais ricos estavam na cadeia. Triste ilusão de quem se considera formador de opinião e quer contribuir com o engrandecimento do Brasil.

Alguns ricos e poderosos na cadeia nada significa se aqueles, isto é, a população, que os sustentaram durante esse tempo continuarem agindo da mesma forma.

As últimas semanas foram recheadas de decepções que culminaram com a proposta de anistia ao Caixa 2 das campanhas eleitorais e a demissão, que tem se tornado rotina, de dois ministros, por força de fofocas piores daquelas de esquina ou de final de festas de família. Afora isto, o corporativismo perverso do funcionalismo mais abastado lutando desesperadamente para manter os seus privilégios à custa da contribuição do resto.

As últimas eleições mostraram o fracasso dos partidos políticos em toda sua extensão, os eleitos não precisam mais dizer a qual partido pertencem, porque isso não diz nada, nem orgulha e sequer envergonha. Salve-se quem puder. Não. Salvem-se todos.

Aqueles que gastaram dois anos destruindo a então presidente da República e, assim, encerraram o vitorioso processo de impeachment, poderiam ao menos disfarçar a sua prática tão ou mais perversa daquela que condenaram e se esforçaram para destruir. A idiotice da votação daquele domingo à tarde nada significou, porque não teve repercussão.

A anistia ao Caixa 2, objeto dessa reflexão, simboliza o golpe final do raio de luz que ainda existia. Vence rapidamente a face mais nefasta da ação pública.

Os valores de uma sociedade moderna e organizada, sonhada desde o final da Idade Média, com raízes na Grécia Clássica, cuja prática política queria ser menos violenta e perversa, estão reduzidos aos estudos das universidades e debates sem repercussão. O país que foi construído a partir do seu jeitinho de agradar a todos e resolver tudo para o bem de todos, está sepultado e sua população apagada.

Esse é o contexto que não merece ser anistiado, mas que, infelizmente, povoa desde o imaginário do alto até as camadas sem expressão, particularmente motivado pela inveja na política. E pelo que sei a inveja é um dos sete pecados capitais.

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