Iniciação à cidadania!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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As diferentes sociedades, religiões e outras instituições embasadas na relação coletiva, passam por processos de iniciação. Permitem que a pessoa tenha um mínimo de noção da caminhada que vai iniciar e viver isso de forma autônoma, permitindo certa progressividade na sua vida, mas também contribuindo no crescimento da coletividade da qual começa a participar.

Na sociedade brasileira carecemos de um processo de iniciação à cidadania, para além das estruturas formais, mas como um espirito de nação. Justifica esta iniciação a constatação que vivemos um contexto de déficit de cidadania. A ida do povo às ruas a partir de 2013, intensificada por ocasião do processo de impeachment de Dilma Rousseff, ambas com forte cobertura midiática, talvez não tenha significado o amadurecimento da consciência cidadã.

Assiste-se verdadeiros assaltos aos princípios da democracia, sem que se perceba reações contundentes ao que acontece, exceto alguns movimentos sociais e grupos atingidos de forma direta pelas medidas adotadas pelo poder executivo na esfera federal, estadual e respectivas câmaras legislativas.  

O autoritarismo, corrupção, promiscuidade entre o público e o privado, envolvendo o atual governo, são fatos tão graves como os crimes que a operação “lava-a-jato” está investigando.  Contudo se constata certa letargia na população. Seriam as manifestações passadas um “piquenique cívico” sem maiores consequências? Porque o silêncio atual?

Existe no Brasil um histórico de autoritarismo e clientelismo. Os amigos do governante têm tudo. Em alguns casos a estrutura do Estado é colocada à serviço destes grupos.  Ao restante da população cabem as sobras e, se protestam, a reação truculenta. Assume-se um cargo público não para servir, mas para “arrumar” a vida. Nesta linha de pensamento não se vê como escândalo a compra e venda de votos nas eleições pois política é negócio e não exercício em vista do bem comum. Os direitos do cidadão são vistos como esmolas ou benesses outorgadas pelo governante que está no poder, jamais como direito garantido constitucionalmente.

 É necessária a iniciação cidadã permitindo o mínimo de noção de cidadania, dos direitos e deveres da população e dos que ocupam cargos públicos. Aprende-se alguma coisa nos bancos escolares, mas não se torna espirito, prática cotidiana. Para uma nação que se diz democrática o déficit de cidadania é tão grave quanto ao déficit financeiro. Tudo indica que o primeiro não causa tanta preocupação, razão pela qual faz-se necessário colocar este tema para debate!

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