Que a dor sirva de exemplo

Postado por: Dilerman Zanchet

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Dor. emoção. Lágrimas que não param de rolar. 
A dor da perda. A dor da esposa, agora viúva, que não mais vai ver o marido, o pai de seu filho.
A dor da mãe que perdeu o filho, ídolo da torcida.
A dor do pai, que no caminho entre Porto Alegre e Chapecó, na terça-feira, viajando sozinho, parou o carro por três vezes para urrar, berrar, gritar o nome do filho morto.
A dor das esposas, dos filhos, dos amigos dos jornalistas e radialistas, que não mais ouvirão o grito de gol saindo de suas gargantas.
É este o clima na Arena Condá.
É assim que passou mais uma tarde de angústia, de sentimento inexplicável. Explicar tudo isso já é inexplicável.
Como fazer para entender aquela mãe (do goleiro Danilo), que adentra sozinha no gramado, vestindo uma camisa rosa com o escudo da Associação Chapecoense de Futebol, e vai até a goleira. Ali se ajoelha, reza em silêncio. Serena.
Em seguida, fica em pé, ergue os braços aos céus, seca uma lágrima e caminha ao anonimato, passando por jornalistas do mundo inteiro que estão no gramado da Arena Condá. 
Seu filho, Danilo, foi milagroso no jogo em que classificou a equipe para disputar a final da Sul Americana. 
Os outros 18 atletas, dentre os quais 17 mortos, estarão chegando logo mais ao estádio. Não vestindo calção, chuteira, meias e a camisa verde e branca da Chape. Estarão vestidos de várias maneiras, dentro de um caixão.
Disse o pai de Felipe, zagueiro vítima do acidente: Não foi acidente. Foi assassinato. O Brasil e o mundo não poderão permitir que isso passe impune.
E que todos os mortos nesse massacre aéreo mandem, dos Céus, luzes para que nenhum comandante irresponsável tente economizar uns trocos e faça, como deve ser, os procedimentos antes de um voo.
O mundo está de luto. 
O Brasil está de luto. 
O esporte está de luto. 
Que sirva, ao menos, para que daqui há alguns dias, quando a comoção diminuir, fazer com que haja mais respeito entre os seres humanos. Independente de cores e, se for o caso, de partidos.
Que sirva o exemplo de Medellin e de Chapecó, ao irmanar-se na dor sofrida, para que o homem seja mais homem.

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