O que vi e vivi em Chapecó

Postado por: Cristian Queiroz

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A semana que encerra o mês de novembro e abre o último mês de 2016 ficaria na história da minha vida, da minha carreira profissional, do meu gosto pelo futebol e do amor pelo meu clube. Porque seria a semana que, possivelmente, eu veria o Grêmio voltar a ser campeão, ficaria na história da minha vida como todos os outros títulos ficaram. Ficaria na história da minha carreira profissional porque pela primeira vez, como radialista, eu poderia noticiar que o Grêmio era campeão, ficaria marcado na minha relação com o futebol por mais uma final do tricolor, e por ver a Chapecoense, clube que sempre tive um certo carinho na final da Sul Americana. Ficaria na história do meu amor pelo time do meu coração por se tratar de mais uma final, mais um título, mas uma quebra de recorde de público, mais uma festa da torcida. Mas como disse até aqui, FICARIA.

A semana que encerra o mês de novembro e abre o último mês de 2016 vai ficar na história da minha vida, da minha carreira profissional, do meu gosto pelo futebol e do amor pelo meu clube. Mas não por tudo que citei acima, vai ficar pela tragédia que aconteceu com a delegação da Chapecoense e com colegas da imprensa que estavam no vôo para a Colombia.

Vai ficar na história porque eu nunca mais vou conseguir esquecer o que ví e vivi nos dias 29 e 30 de novembro na cidade de Chapecó. A noite, no hotel, depois de ter passado o dia todo na Arena Condá, ao fechar os olhos eu via torcedores da Chapecoense chorando, eu via pessoas buscando acreditar o que estava acontecendo. Não vou conseguir esquecer aquela massa caminhando pelas ruas que levam ao estádio, parece que procurando encontrar o seu ídolo que partiu, o seu colega, o seu amigo, o seu dirigente que infelizmente não vai ser possível encontrá-lo. Eu não vou esquecer os olhos cheios de lágrimas daqueles que cantavam do fundo de suas almas “Vamôôô Chape, nós te apoiaremos até morrer”. Eu não vou conseguir apagar da minha memória os depoimentos que ouvi das pessoas que entrevistei. Um dos mais marcantes o do meia Martinuccio, que não embarcou para a Colombia devido a uma lesão. “Você chega no vestiário e não tem quase ninguém cara, só sete sobramos. É muito triste”. Ao ouvir isso é impossível não se colocar no lugar dele. Quem não tem um grupo de colegas de trabalho? Como não imaginar a sala que você trabalha, o prédio da sua empresa esvaziado, assim sem uma preparação, sem um porquê, sem uma explicação e você ter que entender que eles não voltam mais!

Eu tomei um soco na boca do estômago, daqueles que você fica ser ar e perde as pernas por alguns instantes, eu ví um restaurante cheio de gente jantando em silêncio, eu ví as flores, as mensagens a vigília e as orações daquela cidade. Mas eu ví também muita solidariedade, eu ví também muitos abraços de consolo,eu ví uma torcida apaixonado pela Chapeconese, eu ví uma cidade que está junto com o Clube, eu ví muito respeito com os familiares, com os amigos e com os colegas das vítimas, eu ví um estádio inteiro silenciar para juntos fazer uma oração, eu ví torcedores de outros times querendo que seu clube vista a camisa da Chapeconese na próxima partida, eu ví clubes oferendo jogadores de graça para a Chape, eu ví um TIME, em caixa alta porque a grandeza do Atlético Nacional de Medelin merece, abrir mão de um título, eu ví o time que estava correndo atrás de uma conquista continental conquistar o mundo. Eu ví o que é de fato ser um time grande!

A semana que encerra o mês de novembro e abre o último mês de 2016 vai ficar não só na minha história, não só na história dos gremistas que poderiam ser campeões, não só dos Atleticanos que poderiam ser campeões, não só dos torcedores do Verdão do Oeste que disputariam sua primeira final de competição internacional. A semana que encerra o mês de novembro e abre o último mês de 2016 vai ficar na história do esporte, na história do mundo. As vítimas serão sempre lembradas e a Chape sairá dessa ainda maior.

Força, Chape!


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