Lições possíveis de um fato

Postado por: Israel Kujawa

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Episódios que implicam na morte simultânea de dezenas de pessoas geram grande impacto na sociedade. Casos, como a queda do avião que causou a morte dos tripulantes, de profissionais da imprensa, dos jogadores, comissão técnica e dirigentes da Chapecoense, sensibilizam milhões de pessoas, geram consternações e podem gerar mudanças para que fatos com características semelhantes não se repitam. Tragédias coletivas devem contribuir para que milhares de situações individuais e de grupos mais restritos, como os suicídios e as mortes no trânsitos, sejam evitadas. Estas mudanças devem prevenir comportamentos de risco coletivo, advindos de decisões individuais.

Segundo informações do ministério saúde, o número de mortes no trânsito brasileiro chega a 45 mil por ano. Somente em 2013, as ocorrências com motos resultaram em 12.040 mortes. A morte antecipada do time da chapecoense, bem como a morte de milhares de pessoas em acidentes de trânsito poderiam ser evitadas, se houvesse maior rigidez no controle do comportamento que ameaça a preservação da vida.  O bom nível de segurança no transporte aéreo decorre do conjunto de normas e leis da aviação, agregado ao uso de tecnologias avanças. Da mesma forma, o deslocamento no trânsito não seria a causa de tão alto índice de mortes, se as regras e as leis fossem respeitas.

No entanto o modelo de sociedade em vigor pressiona para que as empresas e os indivíduos sejam competitivos e impressionem. Além disto, a competição está na origem de cada indivíduo, que passa por grandes disputa, inclusive para nascer, sendo portanto um aspecto constitutivo do ser humano. Em decorrência destes dois fatores gerais, existem muitas dificuldades em impedir comportamentos vinculados ao desejo de chegar antes, de levar vantagem e de lucrar, que desrespeitam regras construídas em benefício da maioria.

Para evitar as situações indesejáveis e as tragédias, se faz necessário espaços para exercitar a consciência humana, nos aspectos que nos situam em dimensão de igualdade. Entre estas dimensões está a fragilidade e a finitude. Ter consciência da finitude é saber que todos iremos morrer, sem saber hora e local.  Somos todos frágeis, especialmente na infância e na velhice, momentos em que precisamos de maiores cuidados. Somos especialmente frágeis, em algumas situações que nos envolvem em espetáculos (abrangentes e restritos) em que o interesse e a necessidade de impressionar, demostrar poder, levar vantagem ou lucro não permitem observar as dimensões que nos situam na dimensão humana.

 

 

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