Brasil racista. Até quando?

Postado por: Neuro Zambam

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Uma das provas do ENEM deste ano versou sobre as formas de combate ao racismo do Brasil, que vem ao encontro da problemática tratada na prova anterior sobre o drama dos migrantes e outras formas de exclusão.

A afirmação que o Brasil é racista, considerando a história de exclusão e classificação de pessoas que marca a nossa trajetória, é uma dimensão essencial da nossa reflexão e da proposição de ações políticas e individuais em vista da construção de formas de igualdade que combatam desigualdades arraigadas e que ampliam ou fortalecem atitudes racistas.

A análise mais ampla indica que o verdadeiro racismo no Brasil está bem concentrado na distribuição de renda e, por consequência, na falta de acesso aos serviços de qualidade como a educação, a saúde e às viagens que permitem conhecimento de outras realidades que contribuem para a melhoria do conhecimento e do comportamento das pessoas. Nessa última referência, a formação do conceito de pessoa não restrito à cor da pele, às concepções morais, à pertença à religião ou outras formas de identidade individual.

O racismo no mundo não é novidade e atendeu a muitos interesses, normalmente econômicos. A cor da pele foi uma das formas que o mundo criou. O Brasil que carrega a triste memória de ter sido o último país das Américas a abolir esse sistema nefasto, conheceu a escravidão negra e o comércio de pessoas compradas na África. Antes, se pode lembrar, os judeus escravizados no Egito por mais de 400 anos eram de cor branca. A Segunda Guerra Mundial não escolheu cor da pele mas o pertencimento a uma cultura. A Revolução Industrial escravizou negando ganho digno para a sobrevivência.

Atualmente, quando o mundo comemora e aproveita os ganhos da globalização infelizmente completa apenas no comércio de bens, acompanhamos novas formas de exclusão e de racismo, quais sejam, a negação de uma pátria ou um lugar digno para se viver e para inúmeros migrantes e imigrantes pelo mundo. O êxodo rural, típico das décadas de 60 até o final dos anos 90, relembra esse drama que jogou inúmeras pessoas nas cidades sem planejamento e condições de vida digna com consequências nefastas até hoje.

A redação é interessante para lembrar, educar e construir formas de inclusão, solidariedade e cooperação. Contudo, proponho esta abordagem para que não fiquemos insistindo em comentários restritos, de alcance limitado e que, às vezes, podem gerar mais problemas do que soluções.

A distribuição de renda no Brasil, que não tem sido pauta séria dos governos ao longo da história, acompanhada de bons sistemas de educação, que também não pautaram os governos no Brasil com a devida seriedade, são indicativos de como os graves problemas podem ser solucionados de forma barata e com envolvimento de todos.

O Bolsa Família e sua trajetória anterior demonstraram como isso é possível. Este não conseguiu mexer na distribuição de renda, mas mostrou como se pode iniciar uma trajetória crescente. Deste ninguém é contra porque todos ganham. Ou você viu algum prefeito falar mal dessa iniciativa?

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