PRÁXIS: ação do humano sobre o humano

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A práxis é uma categoria muito cara para o ser humano especialmente quando se põe em ação a procura de si mesmo; pois, leva em conta a atenção interpelante do outro, ligado ao giro da complexidade plural do mundo. Pode-se definir a práxis como ação originária e originante do ser humano quando este se põe em atividades voltadas para as ações organizadas em planejamentos orgânicos, com o propósito de empreender processos de qualificação da nossa intervenção na história, como sujeitos condutores de processos político-pedagógicos.

A ação do humano sobre o humano resulta no seu refinamento educativo e no seu aperfeiçoamento afetivo, na busca de seu reconhecimento humano mediado pela consciência ética em relação ao seu agir comunitário. A práxis, como trabalho originário é o caminho para perceber que a mulher e o homem são mistérios insondáveis do ponto de vista lógico-categorial.

A práxis não é fruto de planejamento a priori, ela só tem começo e nunca fim. É uma espécie de partida sem regresso. Um olhar cativante, um abraço acolhedor, uma prosa num lugar espontâneo que, pode gestar um processo e um projeto de vida, nunca imaginados e que, talvez sejam conservados na mente e apagados da memória, como uma experiência afetiva salutar de vida.

É a Práxis que nos mobiliza e promove encontros inusitados, sem terem sido previstos num cálculo estratégico de agenda marcada. As surpresas vitalizantes de nossas existências nos advém epifanicamente, como num tempo de Kairós. A maioria dos nossos projetos de vida e profissionais, têm essa gênese histórica e só depois ganham contornos de “precisões técnico-metodológicas” trabalhados por nós.  

No “exercício da práxis” o ser humano não é um projeto acabado, está sempre em permanente construção de inacabamento. Na Práxis o ser humano é sempre abertura total, está sempre fugindo das categorias classificatórias e definidoras. Dar-fim, é pôr fim, é deixar pronto para em seguida terminar. O chapéu “nasce” pronto, para em seguida ser acabado com o uso. O ser humano não nasce pronto e acabado, “não é feito” como se fosse um “apetrecho” de uso, como uma peça de uso funcional numa máquina. O desempenho do ser humano não é acabamento, mas é aperfeiçoamento, é o ser mais, numa progressividade circular/interativa.

A expressão “fazer um filho/a” é uma imprecisão ético-semântica que mata o mistério da vida gerando vida, numa interação solidária da colaboração de muitas mãos em ação. O ser humano não é uma aventura biológica e muito menos é um determinismo ontológico. O Ser humano é uma epifania que mostra o ilimitado do conhecimento lógico-gramatical. Só podemos sondar o ser humano na relação dialógico-epifânica, não há como sondar o mistério do humano pelo resultado de suas obras (do fazer coisas).

O fazer coisas não define o ser humano. Por isso, a pergunta metafísico/antropológica continua tendo sentido: quem é o ser humano? Mas por causa dessa indagação de quem é o ser humano não anula em nós a busca de querer decifrar esse horizonte, de onde se manifesta e vem o ser humano. Uma preocupação central do IFIBE foi sempre estabelecer a Práxis como um horizonte de busca numa época de muitas proximidades.

Planejar, estudar, pesquisar, ensinar é uma tônica forte no IFIBE, sem cair no ativismo poiético de se preocupar com o puro fazer, ou seja, de se ocupar só com o aperfeiçoamento do objeto. Criamos a arte, inventamos os temperos, refinamos os nossos aromas, choramos e enterramos os nossos mortos, criamos a religião, como meios de dar sentido à semântica deste mistério que, nos ronda a mente e o coração; a mulher e o homem, que nos fazem abrir para a amorosidade, quando nos aproximamos do ser humano.  Por isso, a centralidade da ação pedagógica do IFIBE teve sempre o cuidado de trabalhar a tensão entre poiésis e práxis, destacando o educando/a como o sujeito da habilidade de fazer o bem e o bem fazer em função da Alteridade do Outro, num “espaço de encontro em um tempo de busca”.   

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