VW Kombi – A história da “velha senhora” – parte 3

Postado por: Júlio César de Medeiro

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A Kombi no Brasil

Apresentada ao público em 1949 e tendo sido iniciada sua venda na Alemanha em 1950, no mesmo ano a Kombi desembarcou no Brasil, importada pelo grupo Brasmotor.

Logo em 1953 foi iniciada sua montagem por aqui. As peças eram importadas da Alemanha e os kits montados em São Paulo.

No dia 02 de setembro de 1957 a primeira Kombi brasileira saiu da linha de produção da VW do Brasil, inaugurando a planta fabril de São Bernardo do Campo. Foi a primeira fábrica da VW fora da Alemanha. O modelo fabricado em São Bernardo do Campo contava com 50% de peças nacionais, mas o motor de 1200cc e 36 cv e o câmbio de 4 marchas, chamado de “casca de amendoim” (1ª marcha seca), continuavam a ser importados.

A forma curiosa do utilitário da VW logo lhe rendeu vários apelidos, como “pão-de-forma”, “jarrinha”, “vovozinha” e “corujinha”, estes três últimos devido a forma peculiar do arranjo da frente da Kombi, com seus dois grandes faróis paralelos, parabrisas repartido e o grande vinco em “V”.

Em 1961 uma versão exclusivamente brasileira foi lançada: a Kombi 6 portas, destinada basicamente para o serviço de táxi/lotação. No mesmo ano o marcador de combustível foi integrado ao painel, recebeu nova transmissão sincronizada (foi o primeiro carro produzido no Brasil com todas as marchas sincronizadas) e os piscas indicadores de direção, que eram do tipo “bananinhas”, instalados nas colunas logo atrás das portas dianteiras, foram trocados por luzes intermitentes na dianteira (o famoso pisca "tetinha") e na traseira (tinha função de lanterna e pisca, pois a luz de freio ficava na tampa do motor). Uma curiosidade foi o motivo da troca do sistema de pisca “bananinhas”. O órgão de trânsito da época passou a receber muitas reclamações de pedestres que sofriam acidentes, como cortes no rosto, provocados quando passavam perto da Kombi e era acionado o sistema.

Um ano em que muitas novidades foram incorporadas na Kombi brasileira foi 1967. Um novo motor, de 1500cc e 52 cv, bancos individuais na dianteira, limpador de parabrisas com 2 velocidades, barra estabilizadora dianteira, rodas aro 14, diferencial travante para melhor trafegabilidade em locais de pouca aderência e o lançamento da versão “pick-up”, a famosa “cabrita”. Em 1968 o sistema elétrico de 6 volts era substituído pelo de 12 volts e recebia novos parachoques de lâmina lisa. Só em 1970 cintos de segurança e extintor de incêndios passam a ser instalados na fábrica.

Se estreou por aqui com o mesmo modelo comercializado na Europa, a Kombi brasileira não acompanhou as atualizações feitas por lá. Na Alemanha já em 1967 a carroceria passava a contar com a nova frente com parabrisas de apenas um grande vidro curvo. No Brasil isso só aconteceu em 1976. A porta lateral deslizante, presente no modelo europeu também a partir de 1967 e muito desejada no Brasil, só foi incorporada na década de 90.

Criou-se, assim, uma raça híbrida de Kombi no Brasil, totalmente diferenciada das Kombis produzidas no resto do mundo. Só para se ter uma ideia, na Europa, em 1975 ela recebeu motor de 1795cc com injeção eletrônica. Por aqui, somente em 1997 chegou a porta lateral deslizante e em 1998 a injeção eletrônica.

A maior mudança na Kombi gringa foi feita em 1979, quando recebeu linhas mais retas e modernas e motor refrigerado a água. Passou a se chamar “Transporter” ou “Caravelle”, conforme o acabamento adotado e ainda podia receber transmissão manual de 5 marchas ou automática de 3. No Brasil, motor refrigerado a água só em 2006 (1.4 do Fox) e o câmbio automático nunca foi sequer cogitado.

Em 1992 algumas unidades “Eurovan”, “Caravelle” ou “Transporter” foram importadas. Embora a diferença de qualidade, tecnologia, segurança e conforto do modelo europeu fosse incomparavelmente maior, seu alto preço a tornava inviável para a realidade tupiniquim e não fez muito sucesso.

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